PORTUGAL – ESPANHA – FILME DO JOGO

20 06 2004

Uma grande vitória; uma enorme festa!

Digam lá se Portugal não estava a precisar de uma “catarse” assim!?

Um país inteiro unido na comunhão da alegria de uma grande vitória.

O “filme” do jogo:

3m – Juanito agarra Pauleta, que procurava escapar-se pela direita; Figo marca o livre, acabando a bola, depois de ressaltos na área espanhola, nas mãos de Casillas.

5m – Miguel faz uma descida pelo seu “corredor”, ganhando o primeiro canto. Na sequência Deco é agarrado, de que resulta um livre, novamente marcado por Figo, com a defesa espanhola a interceptar.

6m – Pauleta recepciona a bola com o braço: cartão amarelo, que o afasta do próximo jogo.

7m – Albelda faz uma “falta feia” sobre Deco, ainda no meio-campo português: cartão amarelo para o espanhol.

9m – Figo entra em dribles pelo lado esquerdo, ganhando o segundo canto para Portugal.

10m – Nova falta espanhola; Deco marca o livre e ganha o terceiro canto.

11m – Miguel combina bem com Cristiano Ronaldo no lado direito, mas a bola acaba por perder-se na defesa espanhola.

12m – Deco tem oportunidade de visar a baliza, mas tenta passar a bola a Cristiano Ronaldo, sendo interceptada pelos espanhóis.

13m – Figo desmarca-se em corrida pelo lado esquerdo, quase chega à linha, acabando por tropeçar em Helguera; sem falta, considera o árbitro.

15m – Primeira jogada de perigo no ataque espanhol, com Raul a não chegar a tempo para desviar a bola.

15m – Cristiano Ronaldo ganha a bola em cima da quarto de círculo de canto do lado direito, cruza para a área, onde aparece o defesa espanhol a aliviar.

16m – Deco, já na área, remata contra uma muralha de jogadores espanhóis e portugueses.

17m – Primeiro canto para a Espanha, com uma boa intervenção de Ricardo, a afastar a bola a soco.

17m – Pauleta desmarca-se novamente no lado direito, mas a defesa espanhola controla a situação.

18m – Jorge Andrade tem de se arrojar ao chão, “em carrinho” para cortar a bola, na área portuguesa.

19m – Miguel obriga Casillas a uma grande defesa, na sequência de um remate em força, bem colocado.

20m – Quarto canto para Portugal.

22m – Pauleta, no lado esquerdo, tenta cruzar para Deco, mas a bola acaba por perder-se pela linha de fundo.

24m – Vicente desmarca-se pelo lado esquerdo, entra na área, mas surge Maniche a desarmá-lo.

26m – Fernando Torres impede Cristiano Ronaldo de prosseguir, com uma entrada por trás, mas não é punido com amarelo.

27m – Ricardo tem de sair da área para afastar a bola, quando lhe surgia pela frente, isolado, Fernando Torres.

29m – Casillas tem de sair da baliza, indo quase à linha lateral, para evitar que Figo recuperasse a bola.

31m – Figo vai avançando, até que se decide pelo remate… contra a muralha espanhola.

32m – Jorge Andrade tem de fazer um “corte acrobático” à saída da área portuguesa.

34m – Vicente, do lado esquerdo, vai à linha centrar, obrigando Nuno Valente a despachar para canto. Na sequência, Helguera remata, tabelando a bola na defesa portuguesa: novo canto, agora do lado esquerdo.

37m – Figo, do lado esquerdo, avança, a bola chega a Cristiano Ronaldo, que centra a bola, que cruza toda a área espanhola… sem qualquer desvio.

41m – Deco ganha um canto do lado esquerdo; o quinto para Portugal, sem consequências (depois de Costinha, na sequência de ressaltos, ter rematado de cabeça, por cima da baliza).

43m – No lado esquerdo, Vicente ganha o quarto canto para a Espanha. Fernando Torres cabeceia de forma muito perigosa, por cima da baliza; a grande oportunidade de golo do jogo.

44m – Portugal conquista o sexto canto. Na sequência, Figo centra para a área, onde aparece Cristiano Ronaldo a antecipar-se e a desviar a bola de cabeça… ao lado da baliza; a maior oportunidade de golo para Portugal.

47m – Jorge Andrade tem de “aliviar a bola” para canto.

50m – Maniche remata de longe, mas algo afastado da baliza.

52m – Jorge Andrade corta a bola em falta, sobre Fernando Torres. Na marcação do livre, a bola acaba por tabelar em Raul e sair pela linha de fundo.

56m – Na primeira vez que toca na bola, Nuno Gomes, com a colaboração de Figo (que “arrasta” consigo um defesa espanhol), protege a bola à entrada da área espanhola, “roda” sobre si próprio, remata cruzado, forte e colocado… e GOLO!

58m – Ricardo não afasta a bola e Raul desinspirado, não consegue desviar para a baliza.

60m – Portugal tem oportunidade de rematar à baliza, mas a bola sai “sem convicção”.

62m – Fernando Torres, numa desmarcação perfeita, cara a cara com Ricardo, atira ao poste. Momento decisivo, de fortuna para Portugal.

63m – Deco tenta o remate, mas não acerta bem na bola, que Casillas sustém sem dificuldade.

65m – Nuno Gomes entra “por trás”, às pernas de Puyol: cartão amarelo.

67m – Juanito faz “falta feia” sobre Deco: amarelo. Grande pontapé de Figo na marcação do livre, obrigando Casillas à defesa da noite.

68m – Na sequência do canto, Costinha atira perigosamente, obrigando a nova grande intervenção de Casillas: novo canto.

71m – Juanito derruba Deco à entrada do meio-campo espanhol; seria o segundo amarelo para o espanhol…

73m – Nova falta, a quinta de Puyol, e, finalmente, o cartão amarelo.

75m – Jorge Andrade a salvar providencialmente na área. Na sequência da jogada, Luque podia ter marcado, mas Ricardo Carvalho salva também para canto. Do canto, resulta uma bola na trave. Minuto de maior perigo para a baliza portuguesa.

79m – Portugal a “ver jogar” a Espanha: canto. Que origina novo canto. Vicente remata perigosamente ao lado.

81m – A Espanha continua a atacar; novo canto.

82m – Maniche, num contra-ataque, podia ter acabado com o jogo, mas ganhou apenas o canto.

83m – Jogada de perigo na área espanhola, mas Portugal não consegue chegar à bola, que acaba nas mãos de Casillas.

85m – Novo contra-ataque perigoso, com Maniche a cabecear ao lado.

86m – Fernando Torres cabeceia na área portuguesa, mas ao lado.

87m – Deco consegue ganhar, de forma inteligente, mais um canto.

88m – Nuno Valente cruza e Costinha, sozinho, atira muito por cima, desperdiçando uma oportunidade clamorosa.

90m – Maniche rapidíssimo que nem uma flecha, com Casillas batido; surge Raul Bravo a conseguir o milagre de evitar o golo.

92m – Nuno Gomes faz o mais difícil, aguenta a pressão do defesa, mas remata contra Casillas, perdendo-se mais uma enorme oportunidade.

93m – Portugal está apurado!





RÚSSIA – GRÉCIA

20 06 2004

Grupo A – 3ª Jornada

RússiaGrécia2-1

Tendo acompanhado intensamente o jogo de Portugal, obviamente não vimos o Rússia-Grécia.

Apenas nos foram chegando alguns ecos: a Rússia marcou no segundo minuto; aumentaria para 2-0 aos 17 minutos; a Grécia reduziria ainda na primeira parte.

E, na segunda parte, o jogo terá sido morno, dado que o resultado “satisfazia” ambas as equipas, embora os gregos procurassem o golo do empate, contudo sem arriscar em demasia; apesar do que a Rússia teria ainda, já perto do final, possibilidade de marcar novamente, o que qualificaria a Espanha.

Cumprindo a sua obrigação mínima (não perder por diferença de golos superior à da Espanha), a Grécia alcançava uma inédita qualificação para os 1/4 final de uma grande competição internacional, atingindo assim, e desde já, a sua melhor classificação de sempre. E houve festa também no Algarve!

A Rússia conseguia assim despedir-se da prova, com a sensação de ter “salvo a honra” da sua equipa, com uma vitória.

Rússia Viacheslav Malafeev, Roman Sharonov (56m – Dmitry Sennikov), Aleksei Bugayev, Aleksandr Anyukov, Vadim Evseev, Andrei Kariaka (45m – Igor Semshov), Rolan Gusev, Dimitri Alenichev, Vladislav Radimov, Igor Semshov (45m – Dmitri Sychev), Dmitri Kirichenko

Grécia Antonis Nikopolidis, Giourkas Seitaridis, Traianos Dellas, Michalis Kapsis, Stylianos Venetidis (90m – Panagiotis Fyssas), Theodoros Zagorakis, Costas Katsouranis, Zisis Vryzas, Dimitrios Papadopoulos (70m – Demis Nikolaidis), Angelos Basinas (42m – Vassilis Tsartas), Angelos Charisteas

1-0 – Kirichenko – 2m
2-0 – Bulykin – 17m
2-1 – Vryzas – 43m

“Melhor em campo” – Kirichenko (Rússia)

Amarelos – Sharonov (15m), Anyukov (29m), Kariaka (39m), Alenichev (62m), Radimov (67m) e Malafeev; Vryzas (44m) e Dellas (85m)

Árbitro – Gilles Veissière (França)

Estádio do Algarve – Faro-Loulé (19h45)





ESPANHA – PORTUGAL

20 06 2004

Grupo A – 3ª Jornada

EspanhaPortugal0-1

Os primeiros 15 minutos pertencem a Portugal, que entrou com dinamismo, a “mandar no jogo”. A Espanha numa atitude de expectativa, praticamente não sai do seu meio-campo.

No período imediato, a Espanha começa a mostrar o seu contra-ataque, mas é Portugal que assegura as “despesas do jogo”. Excelente exibição portuguesa nos primeiros 20 minutos, com uma atitude de conquista.

Entre os 25 e os 35 minutos, o jogo começa a ser mais repartido, embora mantendo-se o predomínio português.

A primeira parte termina com as duas melhores oportunidades de golo: primeiro para a Espanha; na jogada seguinte, para Portugal. Ao intervalo, mantém-se o nulo, com Portugal a dominar claramente em termos de posse de bola (56 % / 44 %).

No início da segunda parte, Portugal entra em campo, trocando Pauleta por Nuno Gomes, “refrescando” a sua “frente de ataque”.

A Espanha parece ter (re)entrado melhor no jogo, controlando-o em termos tácticos. Ao contrário, Portugal parece ter perdido algum do gás com que jogara na primeira meia hora.

E, não obstante, na primeira intervenção de Nuno Gomes no jogo, surge o golo de Portugal – um excelente golo, de força, colocação e técnica, num remate cruzado, a fazer recordar o EURO 2000, em particular o golo que marcou contra a França -, que vem alterar toda a lógica da partida: a Espanha passava a estar eliminada.

A partir dos 60 minutos, o ritmo do jogo aumenta de forma alucinante, por parte dos espanhóis, que começam a empurrar Portugal para o seu meio-campo; mas a equipa portuguesa consegue começar a sair novamente para a frente e tem duas grandes oportunidades de golo num minuto (68).

Os espanhóis começam a ficar nervosos e a cometer sucessivas faltas, surgindo os cartões amarelos. O ritmo volta a acelerar-se (ainda mais!). A Espanha substitui um defesa central por um avançado.

Portugal, de forma “inversamente proporcional”, substitui um avançado por um defesa central; faltam 6 minutos e é necessário preservar a preciosa vantagem…

Nos últimos minutos, a Espanha procura o ataque de forma “desesperada”; a equipa portuguesa consegue manter a serenidade, entrega a bola a Deco, que se encarrega de ganhar faltas sobre faltas, fazendo enervar os espanhóis, fazendo “escoar” o tempo… e, aproveitando situações de contra-ataque, Portugal tem ainda duas ou três grandes oportunidades de “acabar” com o jogo.

O resultado não se alteraria contudo; começava a grande festa nacional. Portugal ganhava um jogo que, no último quarto de hora, seria verdadeiramente empolgante; ganhava o seu grupo e, sobretudo, ganhava uma equipa, ao mesmo tempo que adquiria a confiança que lhe faltava desde o primeiro dia.

“Heróis” foram todos os que jogaram… mas que grande jogo fizeram Jorge Andrade e Deco; que enorme jogo fez Ricardo Carvalho (cada vez mais “imperial” – hoje, por hoje, talvez o melhor defesa da Europa); quantos quilómetros correu Maniche, absolutamente inesgotável? E depois, a “magia” de Nuno Gomes!…

Temos que dar mérito a Scolari, por ter feito uma coisa muito simples, mas que o obrigou a adoptar uma atitude de humildade: “mudar toda a organização e estrutura que tinha pensado e trabalhado durante o último ano”… ter a capacidade de “deixar de ser teimoso” e colocar em campo os jogadores que efectivamente se encontram em melhores condições.

E, hoje, tudo correu bem, começando pela aposta em Nuno Gomes, passando pela oportunidade de lançamento no jogo de Petit, e culminando com a “reinserção” na equipa (numa situação “excepcional”, de 3 centrais) de Fernando Couto. E, nem pelo facto de “não ter havido espaço” para Rui Costa, a equipa terá deixado de se unir como nunca terá estado desde há dois anos.

E, bem à nossa maneira, com toda a facilidade, se passa do “8 ao 80″. O potencial da equipa portuguesa é inegável; sabemos também das nossas limitações. Com concentração, rigor e trabalho, Portugal pode continuar a sua caminhada neste Europeu.

Espanha Casillas, Puyol, Helguera, Juanito (80m . Morientes), Raul Bravo, Joaquín (72m . Luque), Xabi Alonso, Albelda (65m . Baraja), Vicente, Raul, Fernando Torres

Portugal Ricardo, Miguel, Ricardo Carvalho, Jorge Andrade, Nuno Valente, Costinha, Maniche, Figo (78m . Petit), Deco, Cristiano Ronaldo (84m . Fernando Couto), Pauleta (45m . Nuno Gomes)

0-1 – Nuno Gomes – 56m

“Melhor em campo” – Deco (Portugal)

Amarelos – Pauleta (6m) e Nuno Gomes (65m); Albelda (7m), Juanito (67m) e Puyol (73m)

Árbitro – Anders Frisk (Suécia)

Estádio José Alvalade (Alvalade XXI) – Lisboa (19h45)





PORTUGAL – ESPANHA – ANTES DO JOGO

20 06 2004

Quando, no século XIX, os ingleses inventaram o “futebol moderno”, introduzido nos colégios britânicos, tratava-se de uma forma de promover, com recurso à componente lúdica, e com alegria, o espírito de camaradagem e companheirismo, com grande ênfase no fair-play; um novo desporto que era um autêntico “jogo de cavalheiros”.

Estariam esses pioneiros muito longe de adivinhar a evolução que este desporto viria a ter em pouco mais de um século, transformando-se num “espectáculo-indústria”, movimentando enormes meios financeiros, com uma explosão exponencial nos últimos 15/20 anos.

O futebol é hoje um fenómeno sociológico com impactos muito significativos, a variados níveis.

No que à competição actualmente em disputa no nosso país respeita, objectivamente, a conquista do título de Campeão Europeu (apesar do prémio monetário atribuído pela UEFA – instituição que tutela a organização da prova – à Federação do país vencedor) tem sobretudo um valor simbólico, numa perspectiva “romântica” de um nacionalismo, um pouco desfasado do que é hoje a estrutura geral, plurinacional, do futebl (com as grandes equipas de clube a serem autênticas “transnacionais, com jogadores oriundos das mais diversas proveniências).

Vem isto a propósito do jogo de hoje à tarde, em que, por falhas entretanto cometidas por ambas as selecções (nos jogos frente à Grécia), Portugal e Espanha disputam entre si quem será o país apurado para a fase seguinte, dificilmente podendo apurar-se os dois.

Num país tão necessitado de elevar a sua auto-estima como tem sido Portugal nos últimos tempos, é claro que seria importante, a nível psicológico, uma vitória. Seria bom que Portugal vencesse e prosseguisse em frente, proporcionando aos portugueses um momento de felicidade; que poderíamos – todos – festejar e celebrar.

Mas é fundamental ter presente a noção de que não será essa vitória que irá fazer de Portugal um país mais avançado, mais evoluído ou mais moderno; os seus efeitos imediatos serão “passageiros” (ou até mesmo efémeros, “esgotando-se” no dia 5 de Julho).

Hoje mesmo, a equipa portuguesa parece apresentar índices de confiança inferiores aos espanhóis; não obstante, o resultado final desses 90 minutos dependerá muito da inspiração momentânea de algum dos jogadores ou de um eventual lapso comprometedor, sendo portanto o resultado imprevisível. É difícil avaliar até que ponto o facto de “jogar em casa” poderá constituir-se num factor galvanizante com força suficiente para impulsionar a equipa portuguesa para a vitória.

E, caso a equipa portuguesa não tenha a possibilidade de prosseguir em frente, que não se faça disso um motivo para depressão colectiva. Dos 16 participantes na prova, um a um, 15 sairão como “perdedores”; apenas 1 será consagrado no dia 4 de Julho. Não podemos esquecer que, para além das boas ou menos boas exibições, há um conjunto de factores aleatórios que não é possível controlar; o futebol não é (felizmente!…) uma ciência exacta, no que reside precisamente a sua magia.

Concluindo, como iniciei, um jogo de futebol é isso mesmo: “um jogo”, que deve ser “uma festa”; é portanto preciso desdramatizar a importância do encontro de logo, que deverá ser encarado sob uma perspectiva positiva (a única que devemos reter); ele só se tornará “importante”, proporcionando-nos emoções, vibrações, momentos de grande alegria, que poderemos então saudavelmente “extravasar”.





RÚSSIA – PORTUGAL

16 06 2004

Grupo A – 2ª Jornada

RússiaPortugal0-2

“Serviços mínimos”… Portugal teve tudo a seu favor neste jogo: marcou cedo; jogou toda a segunda parte em superioridade numérica; evitou o sofrimento nos últimos 5 minutos, ao conseguir o 2-0 praticamente “em cima” do tempo regulamentar.

Et pourtant… soube a pouco! A sensação que ficou foi que a equipa portuguesa estava a jogar “dois jogos ao mesmo tempo”: o empate no Grécia-Espanha implica que Portugal necessite “obrigatoriamente” de vencer a Espanha no último jogo.

O “fantasma” da Espanha pairou durante todo o tempo. A equipa portuguesa denotou uma enorme “falta de confiança” em si própria e, em alguns momentos da segunda parte, evidenciou mesmo sintomas de intranquilidade.

Como se “a cabeça estivesse noutro lado”. É que, embora, fosse importante ganhar à Rússia, todos sabíamos (dentro e fora das “quatro linhas”) que o jogo decisivo será o de Domingo.

E essa falta de confiança foi sendo transmitida para a bancada, pouco convincente no apoio à equipa, sendo, por várias ocasiões, os adeptos portugueses “abafados” pelos (“desesperados”) apelos russos. Aliás, o ambiente de festa que se esperava começou a “falhar” precisamente por aí: em vez de um Estádio repleto de público, havia uma grande clareira no sector russo (terão ficado “desocupados” perto de 10 000 lugares…).

Em termos tácticos, Scolari fez uma “pequena revolução”: trocou as posições de Figo e Simão Sabrosa; trocou 3/4 da defesa (apenas manteve Jorge Andrade, substituindo Paulo Ferreira, Fernando Couto e Rui Jorge, por Miguel, Ricardo Carvalho e Nuno Valente); colocou Deco de início, como “playmaker”, em vez de Rui Costa.

E, embora não se compreenda muito bem como pode Scolari – depois de um ano de jogos-treino – mudar tanto de um jogo para outro, a verdade é que “no papel”, as mudanças pareciam fazer bastante sentido (especialmente as de Ricardo Carvalho e Deco).

Contudo, na prática, “as coisas não saíram bem”, pela tal “falta de confiança” e, a meio da segunda parte, a equipa não conseguia progredir no terreno, começando a “jogar para o lado”… e aí, surgiram, “implacáveis” os primeiros assobios da bancada (precisamente o oposto do que os jogadores necessitam neste momento – não foi bonito o momento da substituição de Figo, com o Estádio dividido entre os aplausos e as recriminações).

Algumas oportunidades criadas iam sendo desperdiçadas, notando-se também o receio em “assumir a responsabilidade” por rematar à baliza.

A equipa portuguesa “jogou sobre brasas” e só com vitórias poderá consolidar a sua motivação.

A Rússia foi tentando fazer o que podia (assumindo alguns riscos na segunda parte), parecendo, nesta altura “poder pouco” (e não só por causa da expulsão de Ovchinnikov – alegadamente, por ter tocado a bola com a mão fora da grande área, na antecipação ao avançado português).

Para a história, fica a vitória (justa) de Portugal, com dois bonitos golos, de Maniche e Rui Costa.

E, na retina, fica uma bela jogada construída por Deco, Nuno Gomes e Figo, que terminou ingloriamente no poste da baliza russa…

Cumpridos os “serviços mínimos” de ganhar à Rússia – primeira equipa eliminada neste Europeu – Scolari vai ter um importante trabalho de moralização dos jogadores, para os convencer de que é possível eliminar também a Espanha (todos nós conhecemos alguém que, este ano, foi capaz de convencer os jogadores que eram os melhores da Europa e que iam ser campeões…).

Rússia Ovchinnikov, Sennikov, Bugayev, Smertin, Evseev, Kariaka (79m – Bulykin), Loskov, Aldonin (45m – Malafeev), Alenitchev, Izmailov (72m – Bystrov), Kerzhakov

Portugal Ricardo, Miguel, Ricardo Carvalho, Jorge Andrade, Nuno Valente, Costinha, Maniche, Simão Sabrosa (62m – Rui Costa), Deco, Figo (78m – Cristiano Ronaldo), Pauleta (57m – Nuno Gomes)

0-1 – Maniche – 7m
0-2 – Rui Costa – 88m

“Melhor em campo” – Maniche

Amarelos – Smertin (16m), Evseev (21m) e Alenitchev (86m); Ricardo Carvalho (24m) e Deco (85m)

Vermelho – Ovchinnikov (45m)

Árbitro – Terje Hauge (Noruega)

Estádio da Luz – Lisboa (19h45)





GRÉCIA – ESPANHA

16 06 2004

Grupo A – 2ª Jornada

GréciaEspanha1-1

Segundo as crónicas – sabendo ambas as equipas que o empate não seria um “mau resultado” – este foi um jogo controlado pela Espanha, que assumiu sempre a iniciativa da sua condução.

O golo surgiria de forma algo “fortuita”, na sequência da intercepção de um passe atrasado de um defesa grego.

Na segunda parte, mesmo a ganhar, foi a Espanha a continuar a dominar; o empate da Grécia surgiria, de alguma forma, “contra-a-corrente”.

Para os gregos, significa uma excelente opção para o apuramento: apenas será eliminada se Portugal vencer a Espanha e se perder o seu jogo com a Rússia por uma desvantagem superior à que os espanhóis eventualmente registem no jogo com Portugal.

Grécia Nikopolidis, Seitaridis, Dellas, Kapsis, Fyssas (86m – Venetidis), Giannokopoulos (49m – Nikolaidis), Zagorakis, Karagounis (53m – Tsartas), Katsouranis, Vryzas, Charisteas

Espanha Casillas, Raul Bravo, Helguera, Marchena, Puyol, Baraja, Albelda, Etxeberria (45m – Joaquín), Vicente, Morientes (65m – Valerón), Raul (80m – Fernando Torres)

0-1 – Morientes – 28m
1-1 – Charisteas – 66m

“Melhor em campo” – Raul

Amarelos – Katsouranis (7m), Giannakopoulos (24m), Karagounis (27m) Zagorakis (61m) e Vryzas (90m); Marchena (16m) e Helguera (36m)

Árbitro – Lubos Mitchell (Eslováquia)

Estádio do Bessa Séc. XXI – Porto (17h00)





ESPANHA – RÚSSIA

12 06 2004

Grupo A – 1ª Jornada

EspanhaRússia1-0

“Sinal mais” inicial da Espanha nos primeiros 15 minutos, com a Rússia a conseguir reequilibrar o jogo a meio-campo, atingindo mesmo um forte final de primeira parte, quase a ameaçar o golo.

A segunda parte iniciou-se, novamente, com uma tentativa de ataque mais continuado por parte da Espanha, mas com a Rússia “sempre à espreita” do contra-ataque.

Aos 58 minutos, a Espanha troca Morientes por Valerón, que, trinta segundos depois, na primeira intervenção no jogo, marca o golo da vitória!

Aos 77 minutos, Fernando Torres substitui Raul… e quase marca também no primeiro lance que disputa.

Depois do golo da Espanha, a Rússia não voltou a mostrar capacidade para chegar ao golo, excepto no último minuto (quando se encontrava já reduzida a 10).

Em suma, vitória justa da Espanha, que pecará até por algo escassa… e “dois ossos duros de roer” ainda no caminho de Portugal.

Espanha Casillas, Raul Bravo, Helguera, Marchena, Puyol, Baraja (58m – Xabi Alonso), Albelda, Etxeberria, Vicente, Morientes (58m – Valerón), Raul (77m – Fernando Torres)

Rússia Ovchinnikov, Evseev, Gusev (45m – Radimov), Sharonov, Sennikov, Smertin, Aldonin (67m – Sychev), Izmailov (73m – Karyaka), Alenitchev, Mostovoi, Bulykin

1-0 – Valerón – 59m

“Melhor em campo” – Vicente

Amarelos – Baraja (43m), Marchena (65m) e Albelda (83m); Gusev (12m), Sharonov (20m), Smertin (28m), Aldonin (31m) e Radimov (93m)

Vermelho – Sharonov (88m – acumulação amarelos)

Árbitro – Urs Meier (Suíça)

Estádio Algarve – Faro-Loulé (19h45)





PORTUGAL – GRÉCIA

12 06 2004

Grupo A – 1ª Jornada

PortugalGrécia1-2

A Grécia surpreendeu a equipa portuguesa com a colocação de avançados de início e com uma entrada em campo a jogar ao ataque, o que provocou que Portugal andasse “perdido” durante o primeiro quarto de hora (uma entrada em prova idêntica às que realizara no Euro 2000, com a Inglaterra, e no Mundial 2002, com os EUA).

Os gregos marcaram cedo (aos 6 minutos), tendo ainda desperdiçado, pelo menos, mais duas boas oportunidades (uma delas logo no primeiro minuto).

Com o seu futebol simples, linear, directo e objectivo, a Grécia justificava plenamente a vantagem com que chegava ao intervalo.

Na segunda parte, Portugal teve de “correr atrás do prejuízo”, mas fê-lo sempre sem a tranquilidade necessária e, muitas vezes, sem nexo, cometendo inclusivamente erros infantis como o que originou o penalty que proporcionou o segundo golo da Grécia.

Uma equipa… pouco equipa, vivendo apenas de “rasgos individuais” de Figo (mais na primeira parte), Cristiano Ronaldo e Deco, pouco inspirados na finalização.

Nos últimos dez minutos, apesar da ansiedade, Portugal atacou bastante, “mais com o coração que com a cabeça”, ainda assim remetendo a equipa grega para a sua área, mas sem conseguir maior felicidade que o “golo de honra” (que poderá eventualmente vir a ser decisivo, lá mais para a frente…).

Portugal Ricardo, Paulo Ferreira, Fernando Couto, Jorge Andrade, Rui Jorge, Costinha (65m – Nuno Gomes), Maniche, Luis Figo, Rui Costa (45m – Deco), Simão Sabrosa (45m – Cristiano Ronaldo), Pauleta

Grécia Nikopolidis, Seitaridis, Dellas, Kapsis, Fyssas, Giannokopoulos (67m – Nikolaidis), Basinas, Zagorakis, Karagounis (45m – Katsouranis), Vryzas, Charisteas (74m – Lakis)

0-1 – Karagounis – 6m
0-2 – Basinas – 51m (P)
1-2 – Cristiano Ronaldo – 93m

“Melhor em campo” – Zagorakis

Amarelos – Costinha (20m) e Pauleta (58m); Karagounis (39m) e Seitaridis (76m)

Árbitro – Pierluigi Collina (Itália)

Estádio do Dragão – Porto (17h00)