PORTUGAL – GRÉCIA – ANTES DA FINAL

4 07 2004

04.07.2004

PortugalNo dia 12 de Junho, escrevi aqui: “É claro que é importante que Portugal tenha sucesso desportivo nesta prova…”, “Mas, acima de tudo, devemos consciencializar-nos que, mais importante do que a vertente desportiva (embora não completamente dissociável), a prova que “somos obrigados a vencer” é a de mostrar ao mundo a capacidade de organização de um torneio desta dimensão, com centenas de milhares de visitantes…”.

Hoje, as palavras dos responsáveis máximos da UEFA (o seu presidente, o sueco Lennart Johansson e o Director do EURO, o suíço Martin Kallen) são a confirmação do que vivemos e sentimos ao longo destas 3 semanas; este é considerado o “melhor EURO” de sempre, com um balanço “fantástico”:

- com um “retorno” três vezes maior que o anterior
- com bons jogos de futebol, muito equilíbrio e competitividade
- com uma adesão entusiástica de todos os portugueses
- com a nossa tradicional excelente hospitalidade
- com milhares de adeptos de todos os países a confraternizar, numa grande “festa”
- com 96 % dos bilhetes vendidos (1,1 milhão de bilhetes)
- com records de audiência televisiva
- com grande fair-play
- com uma final inédita, entre dois estreantes, da qual sairá o 9º país a sagrar-se Campeão da Europa (Portugal e Grécia “já ganharam”).

No mesmo texto, finalizava assim: “Trata-se de uma oportunidade singular que, provavelmente, não se repetirá no espaço de uma geração (25/30 anos). Temos portanto de agarrá-la! PORTUGAL precisa de sentir orgulho de “si próprio” e de voltar a “ser feliz”. Vamos mobilizar-nos (todos!) e fazer do EURO 2004 uma “grande festa.!”

No balanço que é possível já fazer, é patente que fomos capazes de “agarrar a oportunidade”, de “sentir orgulho de nós próprios” e de “ser felizes”.

Ansiamos (todos) por ver a Taça de Campeões da Europa a ser entregue a Fernando Couto e Luís Figo… e, a seguir, a Rui Costa… e aos restantes 20! A “grande festa” final espera por nós logo à noite. Portugal merece esta festa!

É com grande entusiasmo que terei o prazer de nela participar “ao vivo”, no belíssimo Estádio da Luz, a partir das 19h30, vibrar, emocionar-me e libertar a alegria esfusiante que guardámos para logo.

Se as coisas correrem bem, como todos esperamos (estou a lembrar-me que Pauleta, Figo e Costinha ainda não marcaram…), provavelmente, esta página só voltará a ser actualizado já amanhã (depois da meia-noite!)…





PORTUGAL NA FINAL

1 07 2004

ABola Publico Lequipe Record





PORTUGAL – HOLANDA – ANTES DO JOGO

30 06 2004

PortugalApurados que estão os semi-finalistas do EURO 2004 – Portugal, Grécia, Holanda e R. Checa; as quatro melhores equipas da Europa neste momento – tenho lido / ouvido nos últimos dias, por diversas ocasiões, que este se transformou num “EURO dos pequeninos”…

Não me parece que seja – de todo – justo, estar, por esta via, a “minimizar” o desempenho das selecções que se mantêm em prova, apenas porque outras (teoricamente mais fortes) foram entretanto sendo eliminadas (Espanha, Itália, Alemanha, Inglaterra e França).

Numa interpretação extensiva, tal teoria equivaleria ao reconhecimento – em paralelo com o que, tradicionalmente, se tem verificado em Portugal, com os campeões a sairem, invariavelmente, do trio Benfica-Sporting-Porto, com apenas 2 honrosas excepções (Belenenses e Boavista), em cerca de 70 anos! – de que o “domínio” do futebol europeu se deveria “perpetuar” num conjunto de 4 ou 5 países.

Ora, todos sabemos que, no que ao desporto respeita, não é muito saudável, em termos do próprio interesse competitivo, que haja grande previsibilidade quanto ao vencedor (veja-se, actualmente, o caso de Schumacher na Fórmula 1…).

Mas, prosseguindo o raciocínio: como é possível “apelidar de EURO dos pequeninos” uma prova que tem nas 1/2 finais, 2 dos semi-finalistas do Europeu anterior (Portugal e Holanda) e uma equipa com o poderio actual (para não falar já da sua tradição histórica, de Campeão da Europa, vice-Campeão do Mundo e da Europa) da R. Checa?

Só por “memória”: a R. Checa apresenta 9 (!) jogadores que foram Campeões Europeus de Esperanças em 2002, espírito de juventude que mescla na perfeição com os “veteranos” Nedved, Smicer, Koller e Poborsky (o “campeão” das assistências da presente prova, já com 4 “passes para golo”), os quais disputaram já os Europeus de 1996 e 2000.

É verdade que há um outsider, a Grécia, com o seu jogo, pouco “bonito”, mas muito eficaz e que, sobretudo, beneficiou de uma equipa francesa completamente apática que, finalmente, demonstrou não ter capacidade (física ou motivacional) para, neste momento, ir mais longe (pese embora a sua inquestionável valia potencial).

Concluindo, quem é forte, ou “grande”, prova-se, primeiro que tudo, dentro do campo!…

E, assim sendo – no dia em que se completam 13 anos sobre o até então jogo mais importante da vida de Figo e Rui Costa, em que tiveram o seu dia de maior felicidade, sagrando-se Campeões do Mundo de Juniores – a selecção portuguesa tem hoje o jogo mais importante da sua história, por uma razão simples: porque é o próximo e porque é o que nos pode proporcionar o inédito acesso à Final da mais importante competição futebolística da Europa.

Este é portanto o maior desafio que alguma vez se colocou aos jogadores portugueses; que nos permitam fazer, mais logo à noite, a maior festa de sempre, vibrando e emocionando-nos com esta grande alegria. Coragem!





PORTUGAL – INGLATERRA – ANTES DO JOGO

24 06 2004

PortugalConcluída que está a Fase de Grupos do Campeonato da Europa de Futebol, surge mais uma oportunidade para novo “Balanço”.

Primeira constatação: apenas metade das selecções já Campeãs da Europa (de que todas elas haviam marcado presença em Portugal) “seguem em frente”, para os 1/4 Final. Com alguma lógica (se assim se pode dizer…), ficaram pelo caminho os campeões “mais antigos” (Rússia – 1960, Espanha – 1964, Itália – 1968 e Alemanha – 1972, 1980 e 1996); continuam os campeões mais “recentes” (R. Checa – 1976, França – 1984 e 2000, Holanda – 1988 e Dinamarca – 1992). Continuam também em prova 4 candidatos a estreantes como Campeões da Europa: Portugal, Inglaterra, Suécia e Grécia.

Segunda constatação: pela terceira vez consecutiva (Europeus de 1996, 2000 e 2004), Portugal venceu o seu Grupo; a equipa portuguesa é a única da Europa a ter alcançado este registo!

Terceira constatação: a Alemanha – país com melhor palmarés histórico na competição (com os seus 6 lugares no pódio nas 8 presenças anteriores, já três vezes Campeã da Europa) – apesar da pobre campanha que fez em Portugal, consegue, ainda assim “melhorar um pouco” relativamente ao anterior Europeu (tinha sido 15ª – ou seja, penúltima classificada – em 2000); depois do título de 1996, os vice-Campeões Mundiais completam uma série de 6 jogos (todos os realizados em 2000 e 2004, sem conseguir qualquer vitória!).

Para além da Alemanha, as outras grandes decepções da prova são a Espanha (“vítima” do empate com a Grécia e da derrota com Portugal) e a Itália (“vítima” dos empates nos jogos com os nórdicos).

A Bulgária, Letónia e Suíça (sem qualquer vitória) denotaram “estar um pouco à margem” da disputa da competição, a alguma “distância competitiva” dos restantes (a Croácia também não ganhou… mas, esteve lá perto, fazendo nomeadamente um bom jogo contra os Campeões da Europa, França).

Pela positiva, destaca-se a prova da R. Checa que, no Grupo “teoricamente” mais difícil, se impôs categoricamente, com 3 vitórias em 3 jogos (o que Portugal, Itália e Holanda haviam também alcançado no EURO 2000, mas que, antes, apenas havia sido conseguido pela França em 1984).

Com duas vitórias na competição, na Fase de Grupos, apenas Portugal, França e Inglaterra.

Para além da R. Checa, também ainda não perderam na prova, a França, a Suécia e a Dinamarca (havendo essa “curiosidade” de a Itália ter sido entretanto eliminada, igualmente sem sofrer qualquer derrota).

A maior surpresa dos 1/4 final será portanto a presença da Grécia que, em anteriores participações em Fases Finais de grandes provas, nunca vencera um jogo.

Em termos de estatísticas, de realçar o “poderio atacante” da Inglaterra e Suécia (melhor ataque, ambas com 8 golos), seguidas da França e R. Checa, com 7 golos.

As melhores defesas pertencem a Portugal e Dinamarca, apenas com 2 golos sofridos.

Em termos individuais, realce para as prestações “goleadoras” de Rooney e van Nistelrooy (cada um já com 4 golos) e Zidane (3 golos). Destaque especial ainda para Nedved e Baros (R. Checa), Ballack (Alemanha), Sorensen (guarda-redes dinamarquês) e Ibrahimovic (Suécia). Na equipa portuguesa, “destaque para todos”…

As equipas que, em minha opinião apresentaram melhor futebol nesta primeira fase foram a R. Checa, a Holanda e a Dinamarca… e Portugal, no jogo com a Espanha (para além da eliminada Itália).

Em termos de “aposta” para os 1/4 final, a França parece claramente favorita contra a Grécia; aposto também na Holanda e na R. Checa, embora o jogo com a Dinamarca não deva ser “nada fácil”. Por fim, no Portugal – Inglaterra, em minha opinião, se Portugal conseguir jogar o que sabe, será favorito, uma vez que me parece ter uma equipa mais sólida e consistente que a Inglaterra, com bons jogadores em todos os sectores.

Para contribuir para o desejado apuramento português para as 1/2 finais, será necessário, logo ao final da tarde, um apoio “incansável” dos adeptos portugueses, provavelmente em minoria face aos ingleses.

Por fim, é possível alinhar já (“oficiosamente” – em função das suas classificações e prestações relativas na primeira fase da prova) a posição das 8 selecções eliminadas:

9º Itália
10º Espanha
11º Alemanha
12º Croácia
13º Rússia
14º Letónia
15º Suíça
16º Bulgária

Como escrevi aquando do Portugal – Espanha, um jogo de futebol é isso mesmo: “um jogo”, que deve ser “uma festa”; o Portugal – Inglaterra de mais logo é mais uma oportunidade para vibrarmos com as nossas emoções (a vida também é feita destes “pequenos momentos de felicidade”), de voltarmos a fazer uma “grande festa”. Oxalá!





BALANÇO INTERCALAR

20 06 2004

O “EURO 2004″ ultrapassou já (em número de partidas) a sua metade, encontrando-se os jogos da fase de grupos já realizados a 2/3; um pretexto para fazer aqui um primeiro balanço (“intercalar”).

A primeira nota a destacar é o grande equilíbrio que o tem caracterizado: à entrada para a última ronda, apenas 1 equipa (R. Checa) conseguiu vencer os 2 jogos, estando já apurada; 13 outras selecções disputarão ainda o apuramento; apenas a Rússia e a Bulgária (com duas derrotas) estão já “eliminadas”.

Nos 16 jogos já disputados, 7 deles terminaram empatados (quase 50 %); em outros 5 jogos, as vitórias foram “tangenciais”; para além das vitórias da Suécia e Dinamarca sobre a Bulgária (5-0 e 2-0), apenas Inglaterra e Portugal conseguiram vencer por mais de um golo de diferença! Apenas metade (8 das 16) selecções conseguiu já ganhar! Nove dos países concorrentes ainda não perderam!

Não houve portanto ainda uma equipa que claramente se destacasse como favorita à vitória final: a França, apesar do “poderio” que se lhe reconhece, tem apresentado alguns jogadores preponderantes algo distantes da sua melhor forma; a R. Checa “viu-se e desejou-se” para ganhar à Letónia, conseguindo depois um magnífico jogo frente à Holanda; e, curiosamente, as selecções que apresentaram melhor futebol, nem sequer estão bem classificadas, como são os casos da Itália e Holanda.

Um pouco aquém das expectativas, em termos de resultados ou exibições, estarão Portugal, Espanha (vitória “sofrida” frente à Rússia e empate com a Grécia), Inglaterra (pouco consistente no jogo com a França, e isto independentemente de ter perdido o jogo no tempo de compensação, o que se tratou então, nesse período, de um “acidente” daqueles em que o futebol é pródigo) e Alemanha (revelando uma ineficácia inesperada frente à Letónia).

Ao contrário, as selecções nórdicas (Suécia e Dinamarca) “portaram-se” bem e estão encaminhadas para o apuramento; a Grécia vai “levando a água ao seu moínho”; a Letónia (após a “proeza” de ontem com a Alemanha) mantém-se “viva”.

Por fim, a Croácia e a Suíça, revelando algumas fragilidades, têm ainda possibilidade de apuramento, ao contrário das grandes decepções Rússia e Bulgária.

Tivemos oportunidade de assistir a algumas boas partidas de futebol, com destaque (por ordem) para: Holanda-R. Checa, Itália-Suécia, Alemanha-Holanda e Croácia-França – para além do Dinamarca-Itália (que não tive possibilidade de acompanhar).

Como disse Scolari, numa expressão que gerou alguma polémica, mas que será genuinamente “futebolês” (pelo menos no Brasil), na última jornada haverá vários jogos de “mata-mata” (ou seja, quem vencer é apurado; quem perder é – ou pode ser – eliminado):

- Portugal – Espanha (Portugal necessita imperiosamente da vitória, a qual, possivelmente, eliminaria a Espanha; aos espanhóis, serve o empate);

- Croácia – Inglaterra (a Croácia encontra-se em posição similar à de Portugal, tendo de vencer – o que, aliás, me parece também possível -, à Inglaterra “basta-lhe” o empate);

- Suíça – França (de alguma forma, “surpreendentemente” – nomedamente pela “carreira” realizada até agora – à Suíça “bastaria” vencer para se apurar… e eliminar a França! – desde que não haja um empate no Croácia-Inglaterra);

- Holanda – Letónia (este será o “genuíno mata-mata”, uma vez que ambas as equipas poderão necessitar da vitória para se qualificarem – excepto se a Alemanha perder com a R. Checa, caso em que o empate poderia apurar a Holanda).

As combinações possíveis são muitas, que procuro resumir de seguida:

- No Grupo A, se a Espanha ou a Grécia ganharem ou empatarem, qualificam-se; a Grécia só será eliminada se Portugal vencer a Espanha e se perder o seu jogo com a Rússia por uma diferença de golos superior; a Espanha será eliminada se perder, desde que a Grécia não perca por uma diferença de golos maior; Portugal é apurado caso ganhe à Espanha (situação em que poderá mesmo vencer o grupo, desde que a Grécia não ganhe à Rússia).

- No Grupo B, a França e Inglaterra serão apuradas se vencerem ou empatarem os seus jogos; a Croácia e a Suíça serão apuradas se ganharem os seus jogos (no caso da Suíça, desde que a Inglaterra não empate, situação em que teria de vencer a França por, pelo menos, dois golos).

- No Grupo C, a Suécia e a Dinamarca apuram-se se vencerem o jogo que vão disputar entre si ou se empatarem, excepto se a Itália vencer a Bulgária (caso em que o empate poderá não servir à Dinamarca); a Itália necessita “obrigatoriamente” de vencer e esperar que não haja um empate com golos no Suécia-Dinamarca.

- No Grupo D, a R. Checa está já apurada, tendo garantido o 1º lugar; a “segunda vaga” será alcançada pela Alemanha desde que vença a R. Checa; caso a Alemanha empate, só será apurada se Holanda e Letónia empatarem também; a Holanda será apurada se vencer, excepto se a Alemanha também vencesse, mas o empate poderá também dar-lhe o apuramento, se a Alemanha perder; por fim, a Letónia apenas poderá ser apurada desde que vença a Holanda, implicando ainda que a Alemanha não derrote a R. Checa.

A partir de logo à noite, todas estes “ses” vão começar a “desfazer-se”, concretizando-se então os tão desejados apuramentos (para apenas 7, das 13 selecções ainda com aspirações…).





PONTAPÉ DE SAÍDA

12 06 2004

É claro que é importante que Portugal tenha sucesso desportivo nesta prova (embora seja difícil definir com absoluta precisão o que se poderá entender por sucesso – necessariamente o atingir das ½ finais -), até porque a continuidade da nossa selecção em prova manterá acesa a chama da dinâmica da prova, contribuindo para o seu “êxito global”.

Porém, há que “ter os pés assentes no chão”: Portugal entra na prova na 11ª posição do ranking entre os 16 finalistas (no actual ranking da FIFA – sendo o 10º em termos de história da competição), não tendo conseguido nunca melhor do que a meta mínima a que agora se propõe (e ainda, assim, de alguma forma, com carácter “excepcional”, em 1966, 1984 e 2000); numa competição deste cariz, a eliminar, são muitas as contingências (o penalty falhado, a bola no poste, o “desacerto” de um árbitro.); objectivamente, nenhuma equipa do mundo pode garantir antecipadamente que irá ter sucesso.

PortugalGréciaEspanhaRússia

É também verdade que, numa perspectiva “minimalista”, uma selecção poderá ser campeã com apenas 1 vitória e 4 empates (o PSV Eindhoven assim conquistou uma Taça dos Campeões Europeus contra o Benfica em 1988!), podendo mesmo “dar-se ao luxo” de perder um dos jogos da primeira fase; e, portanto, beneficiando do “factor casa”, poderia “bastar-nos” não perder.

FrançaInglaterraSu�çaCroácia

Mas, acima de tudo, devemos consciencializar-nos que, mais importante do que a vertente desportiva (embora não completamente dissociável), a prova que “somos obrigados a vencer” é a de mostrar ao mundo a capacidade de organização de um torneio desta dimensão, com centenas de milhares de visitantes, dando sequência a uma “gigantesca empreitada” de construção de 10 estádios e restantes infra-estruturas (acessibilidades, hotéis, aeroportos). E que, mesmo que à “boa maneira portuguesa”, com atrasos e derrapagens orçamentais, fomos capazes de fazer (bem)!

SuéciaBulgáriaDinamarcaItália

Havendo sempre um “velho do Restelo” (todos sabemos que não eram necessários 10 estádios! – assim como conhecemos as carências que a população portuguesa experimenta nas mais variadas vertentes), nada adiantará agora contestar as opções tomadas e definitivamente assumidas, porque irreversíveis; a verdade é que, tal como com a Expo’98 ou com o Centro Cultural de Belém, as obras feitas aí estão e permanecerão para o futuro; e, por todo o mundo, o nome de Portugal será ouvido e “visto” por milhões de pessoas… e por bons motivos.

R. ChecaLetóniaAlemanhaHolanda

É também assim que os países conquistam o respeito e a admiração internacional; é também por aqui que passa um pouco do “desenvolvimento” do país.

Trata-se de uma oportunidade singular que, provavelmente, não se repetirá no espaço de uma geração (25/30 anos). Temos portanto de “agarrá-la”!

PORTUGAL precisa de sentir orgulho de “si próprio” e de voltar a “ser feliz”. Vamos mobilizar-nos (todos!) e fazer do EURO 2004 uma “grande festa”!





PERDERAM

12 06 2004

PERDERAM!

(Exercício de “futurismo pessimista”)…

Ao fim de apenas 8 dias, o “sonho” transformou-se em pesadelo!

A pobre campanha de preparação (7 jogos contra finalistas do EURO sem uma única vitória!…) já o deixara antever.

O “caso Gondomar”, despoletado a pouco mais de mês e meio do início da prova, “colocando a nu algumas situações dúbias.” do nosso futebol, não era um bom “augúrio”.

A própria selecção evidenciava sucessivos sintomas de desunião: as críticas de Scolari a Jorge Andrade (pela expulsão no jogo FC Porto-Coruña) e a Cristiano Ronaldo (por não “render” na selecção); as observações de Figo sobre a dispensa de jogadores do FC Porto no jogo de preparação contra a Suécia; a “novela” da contratação de Scolari pelo Benfica; a publicação com apreciações “menos positivas” sobre o desempenho dos jogadores na época em curso – um acumular de incontáveis “tiros nos pés”.

Hoje, 20 de Junho, confirmou-se o fracasso.

Como (fraca) consolação, fica o facto de Portugal ter praticamente “replicado” a carreira da França (então campeão do mundo em título) no Mundial da Coreia-Japão, em 2002: derrota no primeiro jogo com a Grécia, por 0-1; empate com a Rússia, 0-0; e, finalmente, outro “descolorido” empate com a Espanha, também a zero, que nem um duvidoso penalty assinalado – no último minuto – por um árbitro “caseiro” permitiu desfazer: sob o peso da responsabilidade, parecendo “atemorizado” perante o seu colega de equipa Casillas, o último pontapé de Figo na sua carreira na Selecção saiu desastrado, em “direcção às nuvens”.

Foi sob uma ensurdecedora vaia de assobios dos 65 000 espectadores que presenciaram este último jogo que a selecção portuguesa se despediu da prova.

Zero vitórias; zero golos; a completa nulidade e falência de uma concepção de futebol.

Com Scolari, ganha força a ideia de que “a história não se repete”; os portugueses confiavam num “milagre” ou em qualquer género de “força oculta” que o brasileiro pudesse transmitir a uma envelhecida e cansada selecção portuguesa.

Resta recomeçar, partindo do “zero”, preparando e estruturando uma nova equipa que possa “limpar a face” na fase de qualificação para o Mundial 2006 que se aproxima a passos largos.

O EURO 2004 continua, mas para os outros – resta-nos continuar a assistir, “do lado de fora”, às exibições das melhores equipas da Europa.


(Agora resta esperar para ver qual das duas versões será mais adaptada à realidade… Boa sorte Portugal!)





GANHÁMOS

12 06 2004

GANHÁMOS!

(Exercício de “futurismo optimista”)…

Fez-se história!

A partir de hoje, o dia 4 de Julho não assinala apenas a independência dos EUA. Para nós, 4 de Julho passará a ser sinónimo da maior proeza desportiva portuguesa de sempre, da glória de uma consagração como melhor equipa do “Velho Continente”.

O que, apenas há 3 meses, parecia impossível, aconteceu!

Quem não se recorda da contestação a que Scolari foi sujeito após a derrota com a Itália a 31 de Março? (numa altura, em que, ao contrário, Mourinho fazia furor com a qualificação do FC Porto para a final da Liga dos Campeões, depois de eliminar o Manchester United, o Lyon e o Deportivo da Coruña).

Entretando, Scolari – numa inversão que pode ter constituído um contributo decisivo para a união em torno da selecção, criando um forte espírito de grupo até então algo arredado -, “arrepiara” caminho, ao aceder às solicitações do FC Porto de não convocar jogadores do clube para o jogo particular com a Suécia, a 28 de Abril (nas vésperas do decisivo jogo da meia-final da Liga dos Campeões, na Corunha).

A partir do estágio da selecção em Óbidos, fora possível perceber o ressurgimento de uma “comunhão” entre os portugueses e a sua selecção, de que o “episódio das bandeiras” (dando um novo colorido às cidades portuguesas) foi um excelente exemplo.

Agora, e depois do título Mundial, o campeão Scolari consegue novo “milagre” e, suportado no apoio incondicional dos adeptos portugueses (que foi conquistando, jogo a jogo), conduz Portugal ao título de Campeão Europeu!

Não sendo o sentimento bonito, é inegável que não deixou de dar um certo prazer especial esta sensação de revanche perante a França, bi-campeã europeia, que, nas suas anteriores conquistas nos deixara – de forma particularmente “cruel” (quer em 1984, quer em 2000) – “pelo caminho”.

Quando Rui Costa (que já marcara a grande penalidade decisiva no desempate do Campeonato do Mundo de Juniores de 1991) partiu para a bola, tinha 10 milhões de portugueses a transmitir-lhe uma energia positiva que fez de todos nós “Campeões”.

Mas, para além disso, fica a imagem de uma selecção convincente, personalizada, “esmagadora” mesmo: 6 jogos; 6 vitórias (em absoluto contraste com os 7 jogos sem vitória na fase de preparação!…), com um futebol “total”, à semelhança da famosa “laranja mecânica” holandesa de 1974 – outra selecção que, mais uma vez, teve de se “vergar” perante o poderio luso.

É a consagração de uma geração, que soube aproveitar da melhor forma a última oportunidade para a glória.

PORTUGAL é CAMPEÃO DA EUROPA!

E, como dizia a canção, “Quero mais!”…

O Mundo espera por nós.

Deixem-nos sonhar!…