A – Z

EURO 2004 – De “A” a “Z”

A – Alemanha / Alenitchev
B – Ballack / Baros / Beckam / Beto / Buffon / Bulgária
C – Campeões / Costinha / Cristiano Ronaldo / Croácia
D – Davids / Deco / Dinamarca
E – Espanha
F – Fernando Couto / Figo / França
G – Grécia
H – Hélder Postiga / Henry / Holanda / Hooligans
I – Ibrahimovic / Inglaterra / Itália
J – Joaquín / Jorge Andrade
K – Kahn / Karagounis
L – Letónia / Lucílio Baptista
M – Maniche / Miguel / Moreira / Mostovoi
N – Nedved / Nikopolidis / Nuno Gomes / Nuno Valente
O – Organização / Otto Rehhagel / Owen
P – Pauleta / Paulo Ferreira / Petit / Poborski / Portugal
Q – Quim
R – R. Checa / Raul / Ricardo / Ricardo Carvalho / Rui Costa / Rui Jorge / Rússia
S – Scolari / Simão Sabrosa / Suécia / Suíça
T – Tiago
U – Urs Meier
V – Van Nistelrooy / Vicente
W – Wayne Rooney
X – Xabi Alonso / Xis (Empates)
Y – Yakin
Z – Zagorakis / Zidane


Alemanha – A maior decepção do EURO. Os actuais vice-campeões do Mundo e tri-campeões da Europa (o país com melhor historial na prova) atravessam uma fase de renovação, mas o seu futebol estereotipado não mostrou capacidade de adaptação, perante as diferentes cambiantes de cada encontro; começaram a ganhar à Holanda, permitindo o empate; não tiveram arte e engenho para marcar à Letónia; apesar de marcarem primeiro no jogo com a R. Checa, acabariam por ser inapelavelmente derrotados. Uma antiga “máxima” definia o futebol como “um jogo em que participam 11 de cada lado e, no fim, ganham os alemães”; cada vez parece ser menos verdade… nas últimas 2 fases finais de Europeus, a Alemanha soma 6 jogos consecutivos sem alcançar uma única vitória! (P. S. A não ser que essa “máxima” seja extensiva ao alemão Otto Rehhagel, treinador da Grécia, novo Campeão Europeu…).

Alenitchev – Campeão europeu de clubes pelo FC Porto, o russo mostraria – apesar da fraca prestação da sua selecção – estar muito acima dos seus companheiros, revelando-se como o único com verdadeira classe europeia; insuficiente para ir mais além que a primeira fase.


Ballack – Numa equipa alemã em processo de renovação (Lahm, Schweinsteiger, Frings, Kuranyi, …), seria o experiente Ballack a destacar-se; procurou carregar com a sua equipa, foi eleito melhor jogador em campo, revelando ser de facto, nesta altura, o único jogador alemão de verdadeira classe mundial; insuficiente para evitar o desastre alemão.

Baros – A maior revelação da prova e um dos melhores jogadores do torneio; o jovem checo, beneficiando da sua postura de grande mobilidade, mesmo sem ser um verdadeiro “ponta-de-lança”, viria a sagrar-se melhor marcador da prova, com os 5 golos que obteve nos 4 primeiros jogos. Esteve perto de marcar também na meia-final com a Grécia, mas, nesse dia, nada saiu bem a uns checos a denotar já alguma fadiga física… e mental. A sua ambição actual é a de procurar impor-se no seu clube, o Liverpool, o que não conseguira ainda na época agora finda.

Beckam – O galáctico, integrando o casal mais mediático do mundo do futebol, não foi feliz neste Europeu. Começou por falhar um penalty que daria o 2-0 no Inglaterra-França; repetiria a infelicidade contra Portugal. A sua passagem pela prova nunca atingiu o nível superior que dele se esperava.

Beto – Um dos poucos portugueses que não tiveram oportunidade de “fazer o gosto ao pé”. Com a melhor dupla defensiva do campeonato (Ricardo Carvalho e Jorge Andrade), a que se somava ainda o titular inicial e capitão da selecção (Fernando Couto), acabou por não haver espaço para que Beto jogasse pela selecção portuguesa.

Buffon – Não foi por causa do guarda-redes italiano, talvez o melhor da Europa, que a Itália foi eliminada logo na primeira fase. Sempre seguro e com inegável classe.

Bulgária – Uma entrada bastante negativa no jogo com a Suécia (derrota por 0-5 – não obstante tivesse equilibrado o jogo na sua fase inicial) acabaria por condicionar definitivamente a prestação da equipa. Esforçaram-se muito no último jogo frente à Itália, mas acabariam a prova só com derrotas. Uma selecção em fase de renovação, acabaria por revelar ser a mais fraca de entre as 16 finalistas.


Campeões – Quem são estes quase “ilustres desconhecidos”, agora sagrados Campeões da Europa, quais “deuses do Olimpo”: Antonios Nikopolidis, Konstantinos Chalkias, Ioannis Goumas, Giorgios Seitaridis, Angelos Basinas e Dimitrios Papadopoulos (todos do Panathinaikos), Mihalis Kapsis, Theodoros Zagorakis, Vassilios Lakis, Konstantinos Katsouranis e Vassilios Tsiartas (AEK Atenas), Theo. Katergiannakis, Stylianos Venetidis, Pantelis Kafes e Giorgos Georgiadis (Olympiakos), Panagiotis Fyssas (Benfica), Traianos Dellas (Roma), Nikolaos Dabizas (Leicester), Stylianos Giannakopoulos (Bolton), Giorgos Karagounis (Inter), Themistolakis Nikolaidis (At. Madrid), Angelos Charisteas (Werder Bremen) e Zisis Vryzas (Fiorentina).

Costinha – O médio defensivo titular da selecção portuguesa, num final de época muito desgastante, teve uma acção de formiguinha, nem sempre se evidenciando, mas assumindo, ainda assim, um papel determinante no controlo dos jogos. Faltou-lhe, desta vez, o habitual golo.

Cristiano Ronaldo – A nova “coqueluche” portuguesa; impôs-se pela facilidade com que assume riscos, pela grande força de vencer. Começando no banco, acabaria por ganhar o lugar a Simão Sabrosa. O golo na meia-final contra a Holanda seria determinante na “abertura do caminho” para a Final. Atenas e os Jogos Olímpicos esperam por ele…

Croácia – Uma equipa que teve um desempenho global aquém do esperado. Algo ingénua e voluntariosa na procura do golo, depois de um jogo de grande ansiedade contra a Suíça e de uma boa partida contra a França, seria traída por um golo marcado “cedo demais” contra a Inglaterra, esquecendo-se de defender quando perdeu a vantagem.


Davids – Sempre “um poço de energia”, a chegar a esta competição em boa forma física. Espalhou algum pânico entre a defesa portuguesa, sendo o jogador holandês que mais perigo levou à nossa área.

Deco – Alvo de muita polémica (mesmo no seio da selecção, com Figo à cabeça), a sua naturalização e integração na equipa portuguesa revelar-se-ia decisiva. Começou como suplente, mas, a partir do primeiro jogo, assumiria naturalmente a titularidade. Foi sempre um jogador muito esforçado, a atacar e a defender, sem “virar a cara à luta”. Acusando naturalmente o esforço de uma época exigente como a que teve no FC Porto – chegava exausto ao final das partidas – teve um papel preponderante na garantia do controlo do jogo, nos seus momentos finais, quando Portugal precisava de conservar a vantagem (contra a Espanha e Holanda) e assegurar o prolongamento (com a Inglaterra). Um dos melhores jogadores deste Europeu!

Dinamarca – Uma equipa discreta, sem a exuberância da “Danish Dynamite” dos anos 80 (ou daquela que se sagrou campeã em 1992), mas com grande poderio, assente num guarda-redes muito bom (Sorensen), que lhe deu uma base para partir deliberadamente para o ataque (em que pontificaram Jon Dahl Tomasson e Gronkjaer). Seria infeliz no jogo com a R. Checa, sofrendo um pesado castigo, num jogo que estava a ser equilibrado.


Espanha – O “habitual”: uma das melhores equipas da Europa, mais uma vez a falhar numa grande competição. Com grandes figuras, como Vicente e Joaquín, não teria um Raul na sua melhor forma. Acabaria eliminada depois de ceder o empate contra a Grécia, num jogo em que exercera claro domínio, vítima do “mata-mata” contra Portugal; esteve a centímetros de ser apurada, caso a Rússia não tivesse desperdiçado, no final da partida com a Grécia, o 3-1 (que eliminaria os gregos…).


Fernando Couto – O grande capitão. Entrou na prova como titular, mas não resistiria à revolução de Scolari, na sequência da derrota com a Grécia. A partir daí, Ricardo Carvalho mostrou ser dono incontestável da defesa portuguesa… e Couto só voltaria a ter (curto) espaço, a reforçar a defesa nos últimos minutos dos jogos com a Espanha e Holanda.

Figo – Sobre ele pesava a responsabilidade de conduzir a equipa portuguesa. Acusou também o peso da época esgotante que teve no Real Madrid, não conseguindo manter o ritmo nos 90 minutos. Reagiu mal às substituições, comportou-se como um “menino mimado” na conferência de imprensa antes do jogo com a Espanha; jogou – não de raiva, mas com prazer – com a Holanda, merecendo o troféu que o distinguiu como melhor jogador. De qualquer forma, decisivo na solidez da equipa portuguesa, formando um meio-campo de luxo com Costinha, Deco, Maniche e Cristiano Ronaldo.

França – Uma equipa nos limites. A sua solidez competitiva, a qualidade técnica dos seus executantes, davam sempre a ideia de que, a qualquer momento, poderia decidir a seu favor todos os jogos. Acabaria por não ser assim, acabando a prova num “cinzento” 5º lugar; no jogo com a Grécia, revelar-se-ia particularmente apática e, após sofrer o golo, quase que “se entregou”. Alguns dos seus jogadores (com Desailly como melhor exemplo) terão chegado ao fim da carreira na selecção. A França deverá proceder a uma importante renovação.


GréciaGrécia – A maior (enorme!) surpresa da prova. Com o seu (limitado) historial, partia sem responsabilidades; sagrou-se Campeã! Começou por derrotar Portugal no jogo de abertura, alcançaria, com sorte o empate com a Espanha, quase garantindo, logo aí, o apuramento. Nos ¼ final, aproveitou a apatia francesa para alcançar uma histórica qualificação para as ½ finais. Aí, de forma matreira, beneficiaria de algum desgaste acusado pela equipa checa para fazer o seu melhor jogo da prova, surgindo em grande força no prolongamento, para, de forma traiçoeira e cruel para os checos, os afastar da Final. Repetiria a “dose” frente a Portugal, com uma eficácia absoluta: 1 canto, 1 remate à baliza, 1 golo. Como diz Rui Costa, sem tirar o mérito aos gregos, o Campeonato é conquistado pela equipa mais defensiva da prova, numa espécie de “negação do futebol”, em que o primordial era assegurar a inviolabilidade da sua baliza, sabendo depois aproveitar todas as oportunidades para marcar e ganhar. Diziam-me os adeptos gregos: «Os nossos jogadores podem não ser os melhores do mundo, mas “têm um grande coração”»… Parabéns à Grécia, que concretiza um “feito único” na história do futebol!

A classificação final do Campeonato da Europa ficou assim estabelecida:

1º Grécia
2º Portugal
3º Holanda
3º R. Checa
5º França
6º Inglaterra
7º Suécia
8º Dinamarca
9º Itália
10º Espanha
11º Alemanha
12º Croácia
13º Rússia
14º Letónia
15º Suíça
16º Bulgária


Hélder Postiga – Uma participação reduzida em termos de tempo, mas que se revelaria decisiva; seria dele o golo do empate com a Inglaterra (a 8 minutos do fim), que nos levaria ao prolongamento. Depois, foi aquela loucura de um penalty, transformado – “à Panenka” – de forma absolutamente inconsciente (dada a responsabilidade de nos poder provocar automaticamente a eliminação), mas, dado o seu “final feliz”, com uma marca de génio, que deixou um grande sorriso em Deco e uma enorme alegria em todos os portugueses.

Henry – O avançado do Arsenal vinha creditado como o melhor jogador do mundo na época agora finda. Completamente fora de forma, esgotado por uma longa e exigente temporada, passaria quase ao lado da prova; os dois golos contra a Suíça foram uma magra consolação, para uma equipa que deverá agora passar por um processo de renovação.

Holanda – Tradicionalmente uma grande potência futebolística, talvez a equipa europeia com maior potencial ofensivo em termos históricos. Surgiu menos forte nesta prova; não obstante, foi conseguindo levar “a água ao seu moinho”, até se deparar com um Portugal imparável. Repetiu o 3º lugar do EURO 2000.

Hooligans – Felizmente, quase não se viram durante os jogos. A realçar o desportivismo com que todas as comitivas de adeptos se comportaram, de início a fim da prova, participando activamente na grande festa que foi o EURO. Quero crer que os desacatos de Albufeira, com adeptos ingleses, se deram com indivíduos que nem sequer assistiram a qualquer jogo.


Ibrahimovic – O avançado sueco revelar-se-ia como um dos melhores da prova, com um golo de antologia, que fica na retina. A infelicidade sueca no jogo com a Holanda impediria que pudesse “mostrar-se” mais.

Inglaterra – Uma selecção que viria a revelar-se bem mais compacta e perigosa do que poderia esperar-se, nomeadamente na sequência do jogo “frágil” que evidenciara perante a França. Apesar de Beckam não ter estado ao seu melhor nível, Ashley Cole, Scholes, Lampard, Owen e, sobretudo, a descoberta Rooney, conduziram a Inglaterra a um elevado nível. O jogo com Portugal foi de antologia (o mais empolgante do campeonato), com um prolongamento de alta tensão, absolutamente “electrizante”.

<Itália – Fico com a ideia que seria talvez (em teoria) – e a par da R. Checa – a equipa mais forte deste Europeu (a seguir a Portugal!…). Seria vítima do seu sistema tradicional de jogo. Conseguiu grandes exibições com a Dinamarca (num excelente jogo, apesar do 0-0) e com a Suécia (num magnífico jogo de ataque – até chegar ao golo, recuando depois, acabando por permitir o empate, que viria a revelar-se-lhe “fatal”). Fez uma partida de grande sofrimento contra a Bulgária, suspensa do resultado do Dinamarca-Suécia; tendo chegado ao último jogo dependente de terceiros, acabaria por ser vítima do empate nórdico a dois golos (o resultado que apurava automaticamente as duas selecções), num jogo (e resultado), que, reforço a ideia, me pareceu absolutamente natural.


Joaquín – Era esperado como o “maior perigo” para a defesa portuguesa, receando-se as suas investidas pelas alas. Seria bastante bem anulado pela defesa portuguesa. Pela sua “fraca produção” passaria o segredo do apuramento português.

Jorge Andrade – Formou com Ricardo Carvalho a melhor dupla de centrais deste Europeu, sendo dos poucos jogadores com presença integral em todas as partidas. Oscilou perante a pressão inglesa; foi infeliz no jogo com a Holanda, desviando a bola para a nossa baliza, mas conseguiria recompor-se, atingindo um bom nível.


Kahn – O guarda-redes alemão tinha saído do Mundial da Coreia-Japão como o melhor do mundo; não tendo comprometido nesta passagem por Portugal, acabaria por fazer parte integrante de uma triste campanha alemã, saindo pela “porta baixa”.

Karagounis – O melhor jogador grego, por cujos pés passa todo o jogo da Grécia, que pauta qual maestro. Foi ele que foi transportando a Grécia para “a frente”, quando era hora de procurar algum risco. O segundo cartão amarelo, no jogo contra a R. Checa afastá-lo-ia da Final. Fiel ao seu “estilo de jogo”, a Grécia acabaria por não “notar a sua falta”.


Letónia – A simpática selecção que veio para aprender; chegou a estar a vencer a R. Checa até ao quarto de hora final; conseguiria a “grande proeza” de empatar com a Alemanha. Chegou ao último jogo em condições de acalentar esperanças de apuramento, caso vencesse a Holanda (e, como num jogo de futebol, tudo é possível…). Mas a Holanda exerceria um domínio claro, não lhes permitindo qualquer veleidade.

Lucílio Baptista – O árbitro português teve um desempenho ao nível esperado; designado para 2 jogos, sentiu algumas dificuldades a nível disciplinar, sendo obrigado a recorrer ao uso de cartões, mas as partidas que apitou não tiveram “grandes casos”. Sem chegar ao “patamar” atingido em anteriores competições por António Garrido, Carlos Valente ou Vítor Pereira, uma prestação de nível razoável, que não deslustra a arbitragem portuguesa.


Maniche – Esteve quase “para ficar de fora”; seria chamado “à última hora”, roubando o lugar a Luís Boa Morte. Viria a ser a peça decisiva do puzzle. Correu quilómetros em todos os jogos, “dando o litro”, sem evidenciar nunca sinais de esgotamento; um verdadeiro “poço de energia”. Pleno de auto-confiança, nunca teve receio de arriscar o remate à baliza… e “petiscou”, com excelentes golos, um deles (contra a Holanda), o melhor golo do Campeonato. Sem ele, talvez Portugal não tivesse conseguido o sucesso que alcançou.

MiguelAgarrou com “unhas e dentes” a oportunidade que Scolari lhe proporcionou, na sequência do erro de Paulo Ferreira que daria o primeiro golo à Grécia; beneficiou da postura atacante sempre assumida por Portugal, o que fez com que não se notassem eventuais debilidades defensivas. Um bom Campeonato, superando as expectativas.

Moreira – Chegado do Europeu de Esperanças nas vésperas do início da prova, e, possivelmente, “em trânsito” para os Jogos Olímpicos, o jovem guarda-redes teve uma óptima experiência de aprendizagem de sucesso ao mais alto nível. De que poderá aproveitar futuramente.

Mostovoi – Foi por ele que se começou a “desmoronar” a equipa russa, com a contestação às opções do treinador. Seria expulso da equipa que, a partir daí, ficaria dispersa, sem unidade e concentração.


Nedved – O grande patrão da equipa checa, que parecia talhada para mais altos voos. A sua lesão na meia-final com a Grécia poderá ter contribuído (inclusivamente no aspecto anímico) para a quebra que a equipa denotaria no termo do jogo, com desfecho final no prolongamento. Podia ter alcançado a consagração, mas, mais uma vez, não teve sorte (já falhara, por castigo, uma final da Liga dos Campeões).

Nikopolidis – A primeira base da solidez da equipa grega começava na confiança que depositava no seu guarda-redes, sempre muito seguro, quase dando a garantia à equipa de que marcar um golo seria o suficiente para ganhar os jogos. Excelente Europeu. O “título” passou por aqui.

Nuno Gomes – Não tão exuberante como no EURO 2000, viveu sempre “à sombra” de Pauleta, procurando agarrar as oportunidades que Scolari lhe ia dando. Marcou o golo decisivo contra a Espanha, que despoletaria a carreira de sucesso da equipa portuguesa, radicalmente transformada a partir desse jogo, a partir do momento em que passou a acreditar em si própria, numa fé, crença e vontade inabaláveis de vencer. Na Final, aceitando-se a opção de Scolari, pelo jogo esforçado que Pauleta fizera com a Holanda, talvez tenha entrado “tarde de mais”.

Nuno Valente – Beneficiou também da revolução de Scolari, roubando o lugar a Rui Jorge, para não mais o perder. Sem ser exuberante, foi sempre um garante de segurança, com a sua atitude de grande luta, não dando muitas oportunidades aos adversários.


Otto Rehhagel – O mais velho treinador da prova, parece ter o condão de transfigurar os pequenos em “gigantes”; começou por promover o Werder Bremen, da 2ª Divisão à Bundesliga (em 1981), aí permanecendo durante 14 anos, levando o clube ao topo do futebol alemão; em 1997, nova proeza, inédita ao nível dos principais campeonatos da Europa, ao conquistar em anos consecutivos, ao serviço do Kaiserslautern, os campeonatos da 2ª e da 1ª divisão alemãs. Desde Agosto de 2000, ao comando da selecção grega, atinge – de forma completamente inesperada – a glória máxima europeia, com muita sabedoria na estruturação estratégica e táctica da equipa, jogando “feio” (se o futebol fosse jogado como o jogou a Grécia, não seria “o maior desporto do mundo“…), mas abolutamente eficaz. Um “deus” no Olimpo.

Organização – Uma palavra apenas: Impecável! Citando o presidente da UEFA, Lennart Johansson: “Nunca vi nada assim. O melhor Europeu de sempre!.. Estou orgulhoso de termos atribuído a organização a Portugal”. Uma grande vitória para Portugal. De que devemos – todos – sentir orgulho.

Owen – Não sendo tão explosivo como se poderia esperar, seria algo “ofuscado” pela explosão de Rooney, mas, quando teve oportunidade, não deixou de inscrever o seu nome na lista dos marcadores.


Pauleta – Sempre infeliz até ao jogo final; “a bola não queria entrar”; teve ainda de sofrer com uma paragem por duplo amarelo, que o afastou – ao fim de uma “interminável” série de cerca de 50 jogos -, da titularidade. No jogo contra a Holanda, porfiou, porfiou, mas van der Sar não lhe permitiu ter êxito. Na Final, “passaria ao lado do jogo”; aceitando-se a opção de Scolari na sua chamada à titularidade, tardaria contudo a sua substituição por Nuno Gomes.

Paulo Ferreira – Talvez o mais infeliz dos jogadores: ficou associado ao primeiro golo da Grécia e seria vítima das mudanças de Scolari, não mais tendo oportunidade de se redimir do erro fatal. Regressaria à equipa, novamente com a Grécia, na sequência da lesão de Miguel… novamente para perder.

Petit – Com a aposta de Scolari em Maniche (dadas as suas características mais ofensivas), acabaria por ficar confinado a pequenas intervenções, em momentos de grande pressão adversária, quando era necessário assegurar o resultado. Nessas oportunidades, cumpriu com o que dele se esperava, mas teve pouco tempo de jogo. Esperaria concerteza mais da sua participação.

Poborski – Já em 1996 nos eliminara, com um chapéu a Vítor Baía. Quando muitos o julgariam acabado, surgiu com grande fulgor numa renovada equipa checa, como um dos poucos resistentes da geração mais velha. Sempre com grande dinamismo, seria o “campeão das assistências”, com 4 passes para golo. Excelente prova, a que faltou a consagração da presença na Final.

Portugal – A melhor classificação de sempre, numa prova que começou mal, com uma (então) surpreendente derrota com a Grécia, que nos colocou em posição difícil. Quando se iniciou o jogo com a Rússia, após o termo do Espanha-Grécia, sabia-se já que Portugal teria a absoluta necessidade de vencer os 2 jogos que lhe restavam na Fase de Grupos. A partida com a Rússia seria sofrida, mostrando uma equipa com uma imensa intranquilidade… Que surgiria completamente transfigurada no jogo decisivo com a Espanha, o jogo do “mata-mata”. Uma atitude notável, um pouco de felicidade e Portugal embalaria para uma excelente carreira. A perder desde o início do jogo com a Inglaterra, mostrou grande personalidade, tendo força anímica para lutar até ao fim, no jogo mais empolgante da prova. A vitória frente à Holanda seria a consequência natural de uma dinâmica de vitória que parecia imparável… Não conseguindo manter o elevado nível competitivo, Portugal assumiu, ainda assim, o favoritismo que lhe era atribuído para a Final, procurando sempre o golo… que não chegaria. [E isto depois de uma série record de 10 jogos consecutivos sempre a marcar em Fases Finais dos Europeus. A propósito, atente-se nas fotos - de lances de suposto perigo, como cantos ou livres -, com os 11 gregos dentro da sua área, e com rígidas marcações "homem-a-homem"...].

A um nível mais geral, do próprio país, esta competição e o desempenho que a selecção portuguesa foi conseguindo, provocaram uma enorme vaga de entusiasmo, que foi crescendo de jogo para jogo, primeiro com as bandeiras de Portugal nas janelas, nos carros, depois com as roupas com as nossas cores, culminando com o apoio no percurso da equipa desde o Centro de Estágio (Alcochete) até aos Estádios, com os barcos de pescadores no Tejo, acompanhando o trajecto na Ponte Vasco da Gama, os motards e a multidão nas ruas. Um sentimento de união em torno de um “projecto” mobilizador como há muito não se via; uma “injecção de auto-estima” que tanto precisávamos e que deverá ser aproveitada para novos projectos de âmbito mais genérico. Valeu a pena!


Quim – Na sequência das polémicas associadas à exclusão de Vítor Baía, e dada a intranquilidade patenteada por Ricardo durante a época e nos jogos de preparação, chegou a acalentar esperanças de poder conquistar a titularidade. As exibições de Ricardo tranquilizariam Scolari e Portugal, e Quim não chegaria a ter oportunidade de jogar.


R. Checa – Apontada desde o início da prova como uma das principais candidatas à vitória, a R. Checa foi materializando, jogo a jogo, o seu poderio, com sucessivas vitórias em todos os jogos até às meias-finais. Fraquejou no pior momento, acusando talvez algum desgaste físico e mental, com uma quebra anímica que talvez possa ter também alguma relação com a lesão de Nedved. O 3º lugar final “soube a pouco”.

Raul – Após a época desastrada do Real Madrid, Raul chegou a Portugal como grande esperança espanhola. “Fora de forma”, passaria praticamente ao lado do Europeu, sem ter tido oportunidade de “dar nas vistas”.

Ricardo – Podia ter sentido sobre si a desconfiança de um “país inteiro”, na sequência da grande polémica da não convocação de Vítor Baía. A dinâmica ofensiva que Portugal teve de assumir – praticamente desde os primeiros minutos da prova – contribuíram para que não tivesse de ser colocado à prova de forma intensa; quando chamado a intervir, correspondeu. Tal como a equipa, foi ganhando confiança jogo a jogo, transformando-se num “herói nacional”, com o duplo êxito com a Inglaterra, defendendo um penalty e marcando o penalty decisivo no nosso apuramento para as meias-finais.

Ricardo Carvalho – O Imperador. O “novo Beckenbauer”. O “novo Baresi”. Não é fácil encontrar palavras para caracterizar o desempenho de Ricardo Carvalho neste Europeu. Oferecendo uma confiança ilimitada, dando extrema segurança, jogando “sempre limpo”, Ricardo Carvalho consagra-se possivelmente como o melhor defesa da Europa e, naturalmente, como um dos melhores jogadores neste Europeu.

Rui Costa – Vítima também do resultado do primeiro jogo, passaria de titular a suplente; a melhor opção, tendo em conta a sua condição física: sempre que entrou, assumiu papel preponderante, com um golo fantástico contra a Inglaterra, que bem merecia ter sido um “golo de ouro”. Na Final, chamado novamente a substituir um companheiro, assumiu o comando do jogo, numa altura em que, contudo,” Portugal jogava já mais com o coração que com a cabeça”. Não obstante o resultado da Final, sai, com grande dignidade, pela “porta grande”.

Rui Jorge – Aquele que foi o primeiro a saber que tinha lugar assegurado na convocatória para a prova (quando Scolari garantiu que, caso fosse despenalizado do caso de doping que sobre ele impendia, seria convocado), seria também vítima da renovação da equipa após o primeiro jogo. Perdeu o lugar para Nuno Valente, que não daria mais possibilidades a Rui Jorge de voltar a ser chamado à equipa.

Rússia – Uma equipa a fazer lembrar o velho ditado “em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”. A preparação da equipa não terá sido a ideal; as críticas de Mostovoi ao treinador desintegraram algum espírito de grupo que pudesse ainda subsistir. A equipa estava “condenada ao insucesso”. Saiu com a consolação de ter sido a única a vencer a Campeã Grécia.


Scolari – Teve três grandes méritos: “emendar a mão a tempo” (colocando finalmente a jogar, jogadores que tinham, obrigatoriamente, que jogar: Ricardo Carvalho, Deco e Maniche) – não obstante não ser fácil de compreender porque “demorou tanto tempo” -; construir a unidade da equipa, fazendo-a acreditar e confiar em si; conquistar os portugueses para “a sua causa”. E quase fez o milagre (que, é de elementar justiça dizê-lo, teria também “dedo” de José Mourinho). Na Final, não teve a felicidade de as substituições resultarem como noutros jogos, perdendo – pela segunda vez – o “duelo particular” com Otto Rehhagel. Terá pela frente novo grande desafio, com a campanha para o Mundial.

Selecção “ideal” – Sempre um exercício subjectivo e de grande complexidade… Deixo, não uma, mas “duas selecções ideais”:

- Buffon; Seitaridis, Jorge Andrade, Ricardo Carvalho e Zambrotta; Costinha, Nedved, Deco, Maniche, Baros; Van Nistelrooy

- Sorensen; Grygera, Canavarro, Dellas e Jankulovski; Poborski, Figo, Davids, Zidane e Cristiano Ronaldo; Rooney

A “eleita” pela UEFA (abrangendo 23 jogadores) foi a seguinte:

- Petr Cech (República Checa) e Antonis Nikopolidis (Grécia)

- Sol Campbell (Inglaterra), Ashley Cole (Inglaterra), Traianos Dellas (Grécia), Olof Mellberg (Suécia), Ricardo Carvalho (Portugal), Georgios Seitaridis (Grécia) e Gianluca Zambrotta (Itália)

- Michael Ballack (Alemanha), Luís Figo (Portugal), Frank Lampard (Inglaterra), Maniche (Portugal), Pavel Nedved (R. Checa), Theodoros Zagorakis (Grécia) e Zinedine Zidane (França)

- Milan Baros (R. Checa), Angelos Charisteas (Grécia), Henrik Larsson (Suécia), Cristiano Ronaldo (Portugal), Wayne Rooney (Inglaterra), Jon Dahl Tomasson (Dinamarca) e Ruud van Nistelrooy (Holanda)

Simão Sabrosa – Entrou como titular, mas perderia o lugar face à “fogosidade” de Cristiano Ronaldo. Quando teve oportunidade, jogou bem, mas a equipa estava montada e a render ao mais alto nível, dificultando alterações.

Suécia – Os “toscos, altos e louros” são cada vez menos toscos; a Suécia surpreendeu; venceu o Grupo (muito difícil, à frente de grandes equipas como a Dinamarca e a Itália). Nos ¼ final, perante a poderosa Holanda, foi a Suécia que esteve mais próxima de resolver a seu favor a eliminatória, antes dos fatídicos penalties. Uma surpresa pela positiva.

Suíça – Uma equipa de que talvez não se pudesse esperar mais. Um empate sofrido com a Croácia (em inferioridade numérica durante muito tempo); a situação repetir-se-ia com a Inglaterra, sofrendo então uma derrota pesada (0-3). Ainda assim, sonhou com o apuramento, quando empatou o último jogo com a França, empate que manteve durante quase uma hora. Acabaria, naturalmente, eliminada.


Tiago – A sua condição física não lhe teria possivelmente permitido ter participação activa numa prova com a exigência e intensidade que caracterizaram este Europeu. Mas as superiores prestações de Maniche e Costinha, impediram-no de jogar um único minuto.


Urs Meier – O árbitro do épico Portugal-Inglaterra. Juntamente com Markus Merk (contemplado com o prémio da Final), Pierluigi Collina e Anders Frisk, completou o grupo dos melhores árbitros do Europeu. Que não teve grandes casos de arbitragem, contrariamente ao último Mundial, caracterizado por um nível médio de arbitragem muito aquém do requerido.


Van Nistelrooy – O “melhor ponta-de-lança do mundo” mostrou o seu killer instinct, mas, ficando “em branco” nos jogos dos ¼ final e das ½ finais, não teve possibilidade de deixar uma marca mais forte da sua presença neste Europeu.

Vicente – O melhor jogador espanhol; não merecia a traição daquele golo da Grécia, que originou o empate, o qual contribuiria para o afastamento da Espanha.


Wayne Rooney – Jovem, baixo, entroncado, “nasceu um goleador”. Logo comparado a Pelé pelos ingleses (obviamente, um exagero!), surgiu de forma avassaladora a “Roomania”, correspondendo aos golos que Rooney ia somando, jogo a jogo – quatro, até ao encontro com Portugal, em que se lesionou, acabando aí a carreira neste Europeu.


Xabi Alonso – A tradicional “fúria espanhola”, representada pelos jovens, também com espaço para lembrar a nova coqueluche dos espanhóis, Fernando Torres. Todos “ficaram pelo caminho” cedo demais (por causa de um golo de Charisteas e de outro golo, de Nuno Gomes…).

Xis (Empates) – 11, em 31 jogos (considerando apenas os resultados no final dos 90 minutos); um sinal do equilíbrio deste Europeu; nos restantes jogos, as vitórias por mais de 1 golo de diferença foram apenas 8! (5-0 no Suécia-Bulgária; 3-0 no R. Checa-Dinamarca, no Inglaterra-Suíça e Holanda-Letónia; 2-0 no Portugal-Rússia e no Dinamarca-Bulgária; 4-2 no Inglaterra-Croácia; 3-1 no França-Suíça).

E, continuando em maré de estatísticas:

Golos
1º Inglaterra e R. Checa, 10
3º Portugal e Suécia, 8
5º Grécia, 7

Melhores marcadores
1º Baros (R. Checa), 5
2º Van Nistelrooy (Holanda) e Rooney (Inglaterra), 4
4º Charisteas (Grécia) e Tomasson (Dinamarca), 3

Cantos
1º Portugal, 59 (média de 9,8 por jogo)
2º R. Checa, 36 (média de 7,2)
3º Holanda, 34 (média de 6,8)
4º Espanha, 28 (média de 9,3)
5º Dinamarca, 26 (média de 6,5)

Remates
1º Portugal, 116 (média de 19,3)
2º R. Checa, 87 (média de 17,4)
3º Holanda, 86 (média de 17,2)
4º Itália, 56 (média de 18,7)
5º Suécia, 56 (média de 14)

Jogadores com mais remates
1º Henry (França) e Van Nistelrooy (Holanda), 22
3º Deco (Portugal), Figo (Portugal) e Nedved (R. Checa), 16

Passes
1º Portugal, 2467 (média de 411)
2º Holanda, 2055 (média de 411)
3º França, 1869 (média de 467)
4º Dinamarca, 1818 (média de 454,5)
5º R. Checa, 1781 (média de 356)

Jogadores com mais passes
1º Cocu (Holanda), 381 (média de 76)
2º Deco (Portugal), 376 (média de 63)
3º Helveg (Dinamarca), 306 (média de 76,5)
4º Maniche (Portugal), 301 (média de 50)
5º Zidane (França), 300 (média de 75)


Yakin – Havia dois, na equipa da Suíça (Murat e Hakan)…


Zagorakis – O grande comandante da “nau grega”, organizando-a dentro de campo. Uma peça-chave na estrutura da equipa. Um jogador de grande utilidade, que se destacou nesta prova. Ainda assim, não deixa de constituir uma surpresa a sua “eleição” pela UEFA como melhor jogador do Torneio!… Na minha modesta opinião, haveria outros candidatos eventualmente mais “merecedores” desta distinção: Milan Baros, ou, “puxando a brasa à nossa sardinha”, Maniche ou Ricardo Carvalho.

Zidane – Longe da sua melhor forma, foi ainda assim, o grande timoneiro da equipa da França, tendo procurado “carregar aos seus ombros” a sua selecção. Mas, como jogo colectivo que é, a apatia de muitos jogadores franceses (muito má campanha de Trezeguet; Henry, sofrível…) impossibilitou que “a nau fosse levada a bom porto”.


Força

“It is the passion flowing right on through your veins
And it’s the feeling that you’re oh so glad you came
It is the moment you remember you’re alive
It is the air you breathe, the element, the fire
It is that flower that you took the time to smell
It is the power that you know you got as well
It is the fear inside that you can overcome
This is the orchestra, the rhythm and the drum

Com uma força, com uma força
Com uma força que ninguém pode parar
Com uma força, com uma força
Com uma fome que ninguém pode matar

It is the soundtrack of your ever-flowing life
It is the wind beneath your feet that makes you fly
It is the beautiful game that you choose to play
When you step out into the world to start your day
You show your face and take it in and scream and pray
You’re gonna win it for yourself and us today
It is the gold, the green, the yellow and the grey
The red and sweat and tears, the love you go. Hey!

Com uma força, com uma força
Com uma força que ninguém pode parar
Com uma força, com uma força
Com uma fome que ninguém pode matar

Closer to the sky, closer, way up high, closer to the sky

Com uma força, com uma força
Com uma força que ninguém pode parar
Com uma força, com uma força
Com uma fome que ninguém pode matar”

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