PORTUGAL – HOLANDA – FILME DO JOGO

30 06 2004

4m – Primeira jogada de relativo perigo, na sequência de um ataque rápido da Holanda

5m – Jorge Andrade lança em profundidade, surgindo Pauleta pela esquerda, a bola sobra para Figo, que combina com Deco, chegando novamente à zona de Pauleta que não consegue desviar de cabeça; intranquilidade de van der Sar

8m – Nistelrooy lança um “balão” para a área; defesa fácil de Ricardo

9m – Num cruzamento de Figo do lado direito, a “rasgar” a área, Cristiano Ronaldo chega uma fracção de segundo atrasado ao “desvio para o golo”

11m – Deco travado em falta, não assinalada pelo árbitro; na resposta, Cocu a rematar cruzado, de fora da área, ao lado, mas não muito afastado da baliza

18m – Figo percorre todo o “corredor” esquerdo, centra atrasado para Cristiano Ronaldo, que remata fraco e à figura de van der Sar

22m – Os holandeses dominam a bola na área portuguesa, mas aparece Ricardo Carvalho a “dobrar” bem Jorge Andrade

24m – Figo faz nova investida rápida pelo “corredor” esquerdo, colocando a defesa holandesa “em sentido”, mas Pauleta não consegue controlar a bola, deixando-se antecipar pela defesa

25m – Agora é Cristiano Ronaldo que faz “sofrer” Reiziger, sempre pela ala esquerda do ataque de Portugal; ganha o primeiro canto da partida

26m – Deco marca o canto, colocando a bola “milimetricamente” na cabeça de Cristiano Ronaldo que, aproveitando a sua estatura marca o primeiro GOLO de Portugal

28m – Ricardo Carvalho “salva” na área, de cabeça, mas a bola sobra para Overmars que, sozinho, do lado direito, “enche o pé”, rematando “para as nuvens”, com a baliza completamente à disposição

30m – Davids “senta” Miguel no chão, cruza para o centro da área, onde Seedorf salta com a defesa, ganhando o canto, que Ricardo afasta a soco

33m – Figo ganha o canto do lado direito; marca curto para Deco, que lhe devolve a bola, resultando num centro-remate para as mãos de van der Sar

35m – Deco ganha a bola no meio campo, passa a Maniche, que cruza para Pauleta que, sozinho na área, remata para a “defesa da noite” de van der Sar; Portugal insiste no ataque e ganha mais um canto

38m – Dois holandeses a anteciparem-se na área portuguesa, a bola a ser introduzida na baliza, mas em posição de fora-de-jogo

40m – O árbitro “perdoa” o segundo amarelo a Overmars, em falta sobre Nuno Valente

41m – Jogada fantástica de Figo, com um fenomenal remate em arco, a embater estrondosamente no poste

42m – Livre perigoso para a Holanda; Robben marca e Stam cabeceia ao lado

44m – Figo, mais uma vez pelo lado esquerdo, cruza para a área; mais uma vez, Pauleta não chega à bola; na sequência, Maniche remata de longe, por cima

45m – Bouma agarra Pauleta; livre perigoso; Deco remata forte, mas contra a barreira

46m – Portugal entra bem na segunda parte, ganhando mais um canto

53m – Contra-ataque rápido iniciado por Deco, que coloca em Figo, que remata bastante ao lado

54m – Um pontapé longo de Ricardo, a isolar Pauleta que, “cara a cara” com van der Sar, remata forte, mas à figura. Na resposta, a Holanda ganha o canto, com Portugal a sentir muitas dificuldades para aliviar

56m – Deco ganha mais um canto, desta vez do lado direito

57m – Novo canto, ganho por Cristiano Ronaldo do lado esquerdo do ataque; Deco marca curto para Maniche fazer um “GOLAÇO“!… num remate em “banana”, “gigante”, para o poste mais afastado

59m – Figo ganha novo canto

61m – Seedorf remata forte, ao lado

62m – Cruzamento do lado esquerdo do ataque holandês, Jorge Andrade intercepta a bola, procurando evitar que chegasse a van Nistelrooy, mas o desvio trai Ricardo: auto-golo

65m – Livre perigoso para a Holanda, com dois holandeses na área, a chegar ligeiramente atrasados ao desvio para a baliza

68m – Portugal ganha um livre; Deco remata novamente contra a barreira

70m – Jorge Andrade salta mal com van Nistelrooy, mas surge Nuno Valente, a “obrigar” o holandês a fazer falta

74m – van Nistelrooy atinge Ricardo com um pontapé; um árbitro mais rigoroso expulsá-lo-ia

77m – Miguel vai à linha de fundo, assiste Nuno Gomes, mas o remate sai contra o defesa holandês

81m – van Nistelrooy assiste van der Vaart, mas Ricardo antecipa-se

88m – Remate perigoso, com Ricardo a defender

91m – O árbitro marca falta à entrada da área; van Hooijdonk remata contra a barreira

94m – Deco surge isolado frente a van der Sar, mas falha “clamorosamente” o 3-1. O árbitro apita: PORTUGAL ESTÁ NA FINAL!





PORTUGAL – HOLANDA

30 06 2004

1/2 Finais

PortugalHolanda2-1

Já estamos a “fazer História”!

Neste preciso momento, tudo parece ainda algo “irreal”; precisamos de algum tempo para interiorizar o que tem vindo a acontecer nas últimas duas semanas.

Agora mesmo, são lindas as imagens que nos chegam em directo, com a Av. da Liberdade repleta de portugueses em festa, munidos de milhares de bandeiras de Portugal, num prolongamento da grande festa iniciada no Estádio José Alvalade com esta brilhante vitória portuguesa frente a uma das selecções mais fortes do Mundo.

Portugal pareceu disposto a entrar em campo com uma estratégia de ataque organizado, de forma continuada, com a Holanda a lançar bolas em profundidade.

As equipas denotavam algum receio mútuo; no primeiro quarto de hora, o ritmo do jogo ia sendo progressivamente “adormecido” pelos holandeses; Portugal que controlara na fase inicial do jogo, permitiria o reequilíbrio.

À passagem dos 20 minutos, o ritmo decaíra bastante; ninguém parecia estar disposto a arriscar, fazendo-se sentir o peso da responsabilidade de uma partida que daria acesso à Final; o jogo era muito táctico.

Até que, num momento de magia, Portugal chega ao golo! Nos 5 minutos seguintes, a Holanda tem uma forte reacção, com duas ocasiões de muito perigo, num excelente jogo de Davids, a transportar a sua equipa para a frente.

Portugal tenta aproveitar o contra-ataque, mas Pauleta permite que van der Sar evite o segundo golo.

O árbitro, bastante permissivo, não assinala faltas a favor de Portugal, com Deco a ser muito castigado.

Figo vai tentando pautar o jogo, na sua melhor partida neste Campeonato.

A segunda parte inicia-se numa toada “morna”, até que, por volta dos 10 minutos, Portugal começa a criar oportunidades, chegando ao golo, em novo momento “mágico” de Maniche, super-confiante, sempre a arriscar o remate à baliza.

Pedia-se então à equipa que não se deslumbrasse… com a Final ali “mesmo à mão”. Até que, num lance relativamente ocasional, um momento infeliz de Jorge Andrade daria o golo à Holanda (o 3º golo “oferecido” aos adversários, depois de Paulo Ferreira e Costinha).

Portugal teria ainda de sofrer bastante; passou, no imediato, 5 minutos de grande dificuldade, até à entrada de Petit; outras substituições e alguns cartões amarelos quebrariam o ritmo do jogo, e a Holanda só conseguiria pressionar novamente nos últimos minutos da partida, altura em que Portugal (tal como no jogo frente à Inglaterra) desperdiçaria ainda oportunidades para elevar o marcador.

Foi um jogo menos exuberante de Portugal, quando comparado com os dois anteriores, mas a Holanda também pareceu uma equipa bastante mais perigosa, com um ataque muito forte e que foi sendo sucessivamente reforçado à medida que o jogo se aproximava do fim.

Ainda assim, e não obstante o domínio bastante repartido, uma vitória justa, com Portugal a “fazer história”, alcançando o que nunca tinha conseguido: a presença na FINAL da mais importante competição de futebol da Europa.

Uma vitória que é fruto de uma equipa que foi sendo construída e reforçada na sequência da derrota do primeiro jogo, com grande mérito (e alguma “estrelinha”) de Scolari (feliz nas substituições em vários jogos); uma equipa que foi capaz de se ir unindo, de ir ganhando auto-confiança e de criar um clima de “intercâmbio” com os adeptos, num ciclo “virtuoso”, em que a equipa vai “puxando” pelos adeptos e estes vão “puxando” pela equipa, que sempre tem retribuído com fantásticas vitórias, de que só podemos sentir um grande orgulho.

O grande sonho está agora a 90 minutos de distância. Que magnífica alegria seria a vitória portuguesa no Domingo. VAMOS ACREDITAR!

Portugal Ricardo, Miguel, Ricardo Carvalho, Jorge Andrade, Nuno Valente, Costinha, Figo, Maniche (87m – Fernando Couto), Deco, Cristiano Ronaldo (67m – Petit), Pauleta (75m – Nuno Gomes)

Holanda Edwin van der Sar, Michael Reiziger, Jaap Stam, Wilfred Bouma (55m – Rafael van der Vaart), Giovanni van Bronckhorst, Philip Cocu, Clarence Seedorf, Edgar Davids, Marc Overmars (45m – Roy Makaay), Arjen Robben (81m – Pierre van Hooijdonk), Ruud van Nistelrooy

1-0 – Cristiano Ronaldo – 26m
2-0 – Maniche – 57m
2-1 – Jorge Andrade (p.b.) – 62m

“Melhor em campo” – Figo (Portugal)

Amarelos – Cristiano Ronaldo (26m), Nuno Valente (43m) e Figo (89m); Overmars (38m) e Robben (70m)

Árbitro – Anders Frisk (Suécia)

Estádio José Alvalade (Alvalade XXI) – Lisboa (19h45)





PORTUGAL – HOLANDA – ANTES DO JOGO

30 06 2004

PortugalApurados que estão os semi-finalistas do EURO 2004 – Portugal, Grécia, Holanda e R. Checa; as quatro melhores equipas da Europa neste momento – tenho lido / ouvido nos últimos dias, por diversas ocasiões, que este se transformou num “EURO dos pequeninos”…

Não me parece que seja – de todo – justo, estar, por esta via, a “minimizar” o desempenho das selecções que se mantêm em prova, apenas porque outras (teoricamente mais fortes) foram entretanto sendo eliminadas (Espanha, Itália, Alemanha, Inglaterra e França).

Numa interpretação extensiva, tal teoria equivaleria ao reconhecimento – em paralelo com o que, tradicionalmente, se tem verificado em Portugal, com os campeões a sairem, invariavelmente, do trio Benfica-Sporting-Porto, com apenas 2 honrosas excepções (Belenenses e Boavista), em cerca de 70 anos! – de que o “domínio” do futebol europeu se deveria “perpetuar” num conjunto de 4 ou 5 países.

Ora, todos sabemos que, no que ao desporto respeita, não é muito saudável, em termos do próprio interesse competitivo, que haja grande previsibilidade quanto ao vencedor (veja-se, actualmente, o caso de Schumacher na Fórmula 1…).

Mas, prosseguindo o raciocínio: como é possível “apelidar de EURO dos pequeninos” uma prova que tem nas 1/2 finais, 2 dos semi-finalistas do Europeu anterior (Portugal e Holanda) e uma equipa com o poderio actual (para não falar já da sua tradição histórica, de Campeão da Europa, vice-Campeão do Mundo e da Europa) da R. Checa?

Só por “memória”: a R. Checa apresenta 9 (!) jogadores que foram Campeões Europeus de Esperanças em 2002, espírito de juventude que mescla na perfeição com os “veteranos” Nedved, Smicer, Koller e Poborsky (o “campeão” das assistências da presente prova, já com 4 “passes para golo”), os quais disputaram já os Europeus de 1996 e 2000.

É verdade que há um outsider, a Grécia, com o seu jogo, pouco “bonito”, mas muito eficaz e que, sobretudo, beneficiou de uma equipa francesa completamente apática que, finalmente, demonstrou não ter capacidade (física ou motivacional) para, neste momento, ir mais longe (pese embora a sua inquestionável valia potencial).

Concluindo, quem é forte, ou “grande”, prova-se, primeiro que tudo, dentro do campo!…

E, assim sendo – no dia em que se completam 13 anos sobre o até então jogo mais importante da vida de Figo e Rui Costa, em que tiveram o seu dia de maior felicidade, sagrando-se Campeões do Mundo de Juniores – a selecção portuguesa tem hoje o jogo mais importante da sua história, por uma razão simples: porque é o próximo e porque é o que nos pode proporcionar o inédito acesso à Final da mais importante competição futebolística da Europa.

Este é portanto o maior desafio que alguma vez se colocou aos jogadores portugueses; que nos permitam fazer, mais logo à noite, a maior festa de sempre, vibrando e emocionando-nos com esta grande alegria. Coragem!





R. CHECA – DINAMARCA

27 06 2004

1/4 Final

R. ChecaDinamarca3-0

A R. Checa daria o primeiro “sinal de vida” logo aos 3 minutos, num livre apontado por Nedved, um remate forte, com uma defesa segura de Sorensen. Aos 13 minutos, os checos levariam o perigo à baliza da Dinamarca, com um remate de Galasek, a rasar o poste.

No entanto, num “jogo de paciência”, as equipas mostravam-se bem encaixadas, sem um domínio claro de uma delas. Assim, aos 15 minutos, seria a Dinamarca a instalar-se na grande área checa, embora sem resultados práticos, reincidindo aos 19 minutos, na marcação de um livre, que chegou a assustar.

A partir dos 20 minutos, o jogo – já não particularmente rápido de início – adormeceria ainda mais um pouco, numa partida bastante táctica, com as equipas a revelarem um muito bom conhecimento mútuo, não correndo riscos.

O jogo apenas despertaria da letargia, segundos antes do intervalo, na sequência de uma iniciativa de Poborsky, que foi à linha final, tentando, já em esforço, o cruzamento, que embateria ainda na trave da baliza da Dinamarca.

O início da segunda parte ameaçava prolongar a toada de baixo ritmo do primeiro tempo, até que, aos 49 minutos, a R. Checa beneficiaria de um canto, marcado por Poborsky, com Koller a fazer valer a sua altura, saltando sem oposição na área dinamarquesa, com um desvio perfeito para a baliza.

Estava posta em crise a tendência de sossego que se adivinhava; imediatamente a Dinamarca foi obrigada a adoptar uma atitude de maior dinamismo e combatividade, o que faria com grande vontade nos minutos seguintes.

Aproveitando os espaços proporcionados pelos dinamarqueses, a R. Checa ameaçava poder chegar novamente ao golo, logo aos 55 minutos.

À passagem da hora de jogo, o entusiasmo dinamarquês começara já a decair ligeiramente; não obstante, obrigariam ainda o guarda-redes checo a uma intervenção apertada, a soco.

Na resposta, uma pequena obra de arte de Baros, dando sequência a uma óptima abertura de Poborsky, a picar a bola sobre o guarda-redes, quando este saía da baliza a fazer a mancha, a marcar o seu 4º golo na prova, igualando Ruud van Nistelrooy e Wayne Rooney…

…Até ao minuto seguinte, em que Baros passaria mesmo para a frente, marcando o seu 5º golo, dando expressão prática à sua fantástica mobilidade no ataque checo; um golo completamente diferente do anterior, desta vez por via de uma desmarcação do lado esquerdo, com um remate potente e bem colocado, mal entrava na área. Nasce uma estrela!

E, claro, ainda antes de se completar o minuto 65, a R. Checa carimbava – “naturalmente”, sem aparentar esforço, podendo dizer-se mesmo, com 100 % de eficácia na segunda parte do jogo (e com o treinador a fazer uma óptima gestão da equipa) – a passagem às ½ finais, onde terá (em teoria…) de cumprir a formalidade que lhe permitirá o acesso à Final, numa prova em que tem confirmado todas as melhores expectativas acerca da sua prestação, com 4 vitórias em 4 jogos!

De nada valeu à Dinamarca ter dominado em termos de “posse de bola”, numa proporção de 60 % / 40 %, assim como a procura do golo de honra, por que bastante porfiou nos 20 minutos finais; o resultado final soaria a um castigo bastante pesado face ao desempenho que os dinamarqueses alcançaram nesta partida.

A R. Checa apresenta uma equipa muito bem organizada, com jogadores com excelente técnica (à “estrela” Nedved, junta-se outra da mesma grandeza, Baros, que se consubstancia no complemento perfeito, em termos de finalização, ao trabalho criativo de Nedved); um “futebol total”, à maneira da selecção holandesa dos anos 70.

Grande candidata à vitória na prova; veremos se Portugal conseguirá manter as boas prestações, eliminando a Holanda e proporcionando o que se antevê seria uma bela Final contra os checos.

R. Checa Petr Cech, Martin Jiranek (38m – Zdenek Grygera), Tomas Ujfalusi, René Bolf (64m – David Rozehnal), Marek Jankulovski, Tomas Galasek, Karel Poborsky, Tomas Rosicky, Pavel Nedved, Milan Baros (70m – Marek Heinz), Jan Koller

Dinamarca Thomas Sorensen, Thomas Helveg, Martin Laursen, René Henriksen, Kasper Bogelund, Christian Poulsen, Claus Jensen (70m – Peter Madsen), Thomas Gravesen, Jesper Gronkjaer (77m – Dennis Rommedahl), Jon Dahl Tomasson, Martin Jorgensen (85m – Peter Lovenkrands)

1-0 – Koller – 49m
2-0 – Baros – 63m
3-0 – Baros – 64m

“Melhor em campo” – Milan Baros (R. Checa)

Amarelos – Jankulovski (10m), Ujfalusi (45m), Nedved (60m); Poulsen (51m), Bogelund (55m), Gravesen (77m)

Árbitro – Valentin Ivanov (Rússia)

Estádio do Dragão – Porto (19h45)





SUÉCIA – HOLANDA

26 06 2004

1/4 Final

SuéciaHolanda0-0 (4-5 g.p.)

O Suécia-Holanda não foi também um bom jogo, caracterizando-se, particularmente nos 90 minutos de tempo regulamentar, por uma toada morna, com o jogo concentrado essencialmente a meio-campo, sem grandes oportunidades de golo, não obstante alguma predomínio holandês.

A Holanda entrou melhor no jogo, assumindo o controlo da partida, que dominaria na primeira parte (58 % / 42 %, em termos de “posse de bola”), embora com um ataque previsível.

Na segunda parte, o jogo mudaria algo de cariz, com a Suécia a surgir mais perigosa, logo nos primeiros 10 minutos, com possibilidade de marcar, não fora Cocu a salvar sobre a linha de baliza.

A Holanda ainda procuraria ripostar mas, à entrada do último quarto de hora, a Suécia podia, novamente, ter também chegado ao golo.

O prolongamento seria bem mais interessante, desde logo com os holandeses a terem oportunidade de marcar aos 3 minutos, surgindo Robben a rematar ao poste. Ainda antes do termo da primeira parte do prolongamento, novas oportunidades, uma para cada lado.

Se a primeira parte fora de alguma forma controlada pela Holanda (tal como a 1ª parte do tempo regulamentar), também a Suécia viria a chamar a si, na segunda parte do prolongamento, o domínio do jogo, com Larsson a rematar à trave (112m) e Ljunberg ao poste (116m), quando o guarda-redes holandês estava já batido.

Já próximo do final, a Suécia desperdiçava portanto duas grandes oportunidades para evitar os penalties, o que não conseguiria; quando, na marcação dos pontapés de grande penalidade, Ibrahimovic rematou por alto, pensou-se que a Holanda tinha a eliminatória ganha; contudo, Cocu (tal como em anterior prova de âmbito internacional) viria a falhar; a selecção apurada para defrontar Portugal nas ½ finais apenas seria conhecida quando Mellberg – no primeiro pontapé após a série inicial – falhou a sua conversão; logo de seguida, Robben colocava, com algum felicidade, os holandeses (uma equipa sempre muito poderosa) “no caminho” de Portugal, afastando a “maldição dos penalties” (que lhes haviam provocado sucessivas eliminações nos Europeus de 1992, 1996 e 2000 e no Mundial de 1998).

A caminho da Final, tem a palavra Portugal!

Suécia Andreas Isaksson, Mikael Nilsson, Olof Mellberg, Andreas Jakobsson, Fredrik Ljungberg, Tobias Linderoth, Alexander Ostlund, Anders Svensson (80m – Kim Kallström), Mattias Jonson (65m – Christian Wilhelmsson), Zlatan Ibrahimovic, Henrik Larsson

Holanda Edwin van der Saar, Jaap Stam, Frank De Boer (35m – Wilfred Bouma), Gio van Bronckhorst, Michael Reiziger, Clarence Seedorf, Edgar Davids (62m – John Heitinga), Philip Cocu, Andy van der Meyde, Arjen Robben, Ruud van Nistelrooy (86m – Roy Makaay)

“Grandes penalidades”

1-0 – Kallstrom
1-1 – Van Nistelrooy
2-1 – Larsson
2-2 – Heitinga
Ibrahimovic remata por cima
2-3 – Reiziger
3-3 – Ljunberg
Cocu remata, com estrondo, ao poste
4-3 – Wilhelmsson
4-4 – Makaay
Mellberg permite a defesa de Van der Sar
4-5 – Robben

“Melhor em campo” – Ruud van Nistelrooy

Amarelos – Zlatan Ibrahimovic (57m) e Alexander Ostlund (88m); Frank De Boer (30m), Andy van der Meyde (48m) e Roy Makaay (115m)

Árbitro – Lubos Michel (Eslováquia)

Estádio do Algarve – Faro – Loulé (19h45)





FRANÇA – GRÉCIA

25 06 2004

1/4 Final

FrançaGrécia0-1

“Crónica de uma derrota anunciada”: Depois da Espanha, Itália, Alemanha e Inglaterra, tive hoje oportunidade de assistir ao vivo (na primeira deslocação ao novo e bonito Estádio José de Alvalade, no Complexo Alvalade XXI) à queda de mais um “colosso” do futebol europeu e mundial, também a “ficar pelo caminho”; das tradicionais “grandes selecções” da Europa, resistem apenas a Holanda e a R. Checa.

Foi um jogo bastante fraco o que opôs a França e a Grécia, com os gregos apostados sobretudo em defender, ensaiando, aqui e ali, tímidos contra-ataques e com os franceses, sem “chama”, sem garra, com um futebol muito estereotipado, denunciado, previsível, porque, acima de tudo, muito lento. Que diferença para o “nosso” jogo de ontem!

A espaços largos, a equipa francesa fez lembrar a incapacidade revelada também pela Alemanha para impor o seu futebol; os jogadores denotaram estar, praticamente todos, bastante “fora de forma”; o sempre esforçado e empreendedor Zidane não chegou para disfarçar a apatia generalizada, porque também ele desinspirado.

Depois, falhou também, na frente de ataque, a dupla ofensiva, com Trezeguet “transparente” em todos os jogos (praticamente não se deu por ele) e com Henry (considerado o melhor jogador do mundo na presente época, ao serviço do seu clube, o Arsenal de Londres) muito distante do seu real valor.

Com problemas também na defesa (como compreender que o lateral direito Thuram jogasse sempre a central, e que o central, Gallas, ocupasse sempre a posição de lateral direito?), a França acabaria por ser eliminada por um golo resultante de uma rápida jogada de contra-ataque dos gregos (que, em toda a partida, não teriam disposto de mais de 1 ou 2 ocasiões de perigo).

Perante a apatia geral do jogo, a animação viria da “bancada grega” e dos adeptos portugueses e ingleses, que chegariam a ter um momento de “reposição” dos cânticos de ontem, procurando animar o Estádio.

A perder a partir dos 65 minutos, a França teria ainda, teoricamente, bastante tempo para responder, mas, a determinada altura, chegou a parecer que os jogadores, sem motivação, “não se importariam de ir para casa mais cedo” (!?) – no final, do jogo, ver-se-ia que os jogadores “sentiram a eliminação”, no segundo revés consecutivo dos “bleus”, depois da paupérrima campanha no Mundial de 2002, em que não haviam marcado um único golo.

O “canto do cisne” surgiria aos 87 minutos, com Henry a rematar forte, “a rasar o poste” – melhor oportunidade francesa em toda a partida -, numa jogada em que Nikopolidis estava completamente batido, sem hipótese de defesa.

A França acaba por “passar ao lado” deste Campeonato; à parte os primeiros 40 minutos do jogo inaugural com a Inglaterra, nunca conseguiu “passear a sua classe”.

Os gregos – bastante apoiados por um bom núcleo de adeptos (perto de 10 000) fizeram a sua grande festa, atingindo – para já – uma surpreendente e absolutamente inesperada posição no pódio.

O seu futebol não é bonito, pouco procuram o ataque, defendem sem cerimónia, mas, até agora, têm conseguido ser eficazes. E, para quem estranhara a derrota portuguesa no jogo de abertura, ficou agora a prova de que, em futebol, (quase) tudo é possível!

França Fabien Barthez, William Gallas, Claude Makelele, Lilian Thuram, Bixente Lizarazu, Olivier Dacourt (72m – Sylvain Wiltord), Robert Pires (79m – Jérome Rothen), Mikaël Silvestre, Zinedine Zidane, David Trezeguet (72m – Louis Saha), Thierry Henry

Grécia Antonis Nikopolidis, Giourkas Seitaridis, Traianos Dellas, Mihalis Kapsis, Costas Katsouranis, Panagiotis Fyssas, Angelos Basinas (85m – Vassilis Tsiartas), Theodoros Zagorakis, Georgios Karagounis, Angelos Charisteas, Themistoklis Nikolaidis (61m – Vassilis Lakis)

0-1 – Charisteas – 65m

“Melhor em campo” – Charisteas (Grécia)

Amarelos – Zidane (44m) e Saha (86m); Karagounis (6m) e Zagorakis (50m)

Árbitro – Anders Frisk (Suécia)

Estádio José Alvalade (Alvalade XXI) – Lisboa (19h45)





PORTUGAL – INGLATERRA – FILME DO JOGO

24 06 2004

1m – Primeiro ataque da Inglaterra: Owen “apanhado” em “fora-de-jogo”; um aviso.

2m – Costinha faz um mau atraso de cabeça para Ricardo, que Owen interceptou, não perdoando e abrindo o marcador; mau começo para Portugal

5m – Portugal parece reagir bem; Figo, do lado esquerdo, a centrar, com Cristiano Ronaldo a desperdiçar a oportunidade do empate

7m – A Inglaterra, mais tranquila, cria alguns apuros ao meio-campo português

8m – Figo parece querer “pegar no jogo”; assiste Maniche que remata com perigo, originando a primeira oportunidade de golo

9m – Maniche tenta de novo a sua sorte, remata contra a defesa inglesa. Na sequência, a equipa portuguesa a perder uma ocasião soberana de marcar; segundo canto para Portugal

11m – Rooney tentava penetrar na área, sendo travado em falta por Ricardo Carvalho; Beckam marca o livre, a bola embate na barreira, sobrando para os ingleses, obrigando Ricardo a ceder o canto

14m – Deco marca um livre junto à bandeirola de canto; ganha o terceiro canto, marcado directamente para fora

17m – Miguel remata de longe, por alto, para fora

18m – Jorge Andrade a cortar uma bola perigosa; na sequência, novamente muito perigo para a baliza portuguesa, com a bola a sair pouco por cima da trave

19m – Costinha, com “uma dívida para pagar”, cabeceia ao lado da baliza inglesa

20m – Rooney a tentar cruzar para a área, com Nuno Valente a desviar para canto. Campbell a aparecer no centro da área, mas a cabecear por cima; o perigo espreita novamente

21m – Rooney perde a bota e joga descalço; Urs Meier esqueceu-se do cartão…

24m – Miguel remata forte, James não segura à primeira, mas Cristiano Ronaldo não chega a tempo de empurrar para o golo

25m – Nuno Valente cruza, Nuno Gomes cabeceia com perigo; a bola sai pouco ao lado do poste

27m – A receber assistência desde os 23 minutos, Rooney não recupera da lesão, tendo de ser substituído por Vassell

28m – Cristiano Ronaldo dribla dois e ganha falta sobre a linha da área, descaído para o lado direito; Figo marca mal o livre, saindo a bola muito por cima

29m – Costinha repete a oferta, com um atraso de cabeça para Ricardo, a “papel químico” do golo, Owen tentou repetir o golo, mas desta vez Ricardo conseguiu salvar

31m – Nuno Gomes faz muita cerimónia no remate e acaba por perder a bola

32m – Deco avança com a bola, aproxima-se da área, remata forte… ao lado

34m – Neville vai à linha, cruza para Owen, que ganha o canto; Vassell consegue antecipar-se à defesa, mas remata por cima

35m – Portugal ganha novo canto; Figo marca, Costinha de novo a cabecear para fora

36m – Deco isolava-se perigosamente, sendo travado em falta por Gerrard, que vê o cartão amarelo (finalmente!); o livre, apontado por Deco, sai muito por cima

41m – Deco agarra-se à bola, ganhando, ainda assim, a falta; Figo marca o livre procurando “a cabeça de Costinha”; Portugal ganha mais um canto

44m – Cristiano Ronaldo ganha uma falta em cima da área, depois de empurrão de Cristiano Ronaldo; Figo marca muito mal (mais uma vez…)

46m – Figo, do lado esquerdo, atrasa para Maniche, que, vindo de trás, remata à figura de James; no minuto seguinte, Figo repete a jogada, ensaiando desta vez o remate, para fora

50m – Nuno Valente, junto à linha de fundo, cruza sesgado à baliza, James não consegue agarrar à primeira, sendo depois tocado na pequena área por Nuno Gomes

54m – Owen entra na área, tenta passar por Ricardo Carvalho, mas perde a bola, que sobra para Ricardo

55m – Figo vai até à linha de fundo, mas cruza directo para as mãos de James

57m – Cruzamento perigoso para a área portuguesa, com Ricardo a segurar com dificuldade

58m – Figo ganha o canto; na sequência, Deco cruza para o segundo poste, Costinha amortece de cabeça, mas Cristiano Ronaldo não consegue o golo

62m – Boa jogada de combinação no ataque de Portugal, com Nuno Gomes a rematar fraco, à figura de James

65m – Simão, bem enquadrado com a baliza, remata forte, mas ligeiramente ao lado; boa oportunidade para Portugal

67m – Simão combina bem com Nuno Gomes, mas faltou-lhe o espaço para a rotação

68m – Cristiano Ronaldo ganha mais um canto, o nono; marcado directamente para as mãos de James

70m – Numa das poucas saídas da Inglaterra na segunda parte, ganha um canto, levando de novo o perigo à área portuguesa; na resposta, Simão tenta ajeitar a bola, perdendo tempo e acabando por rematar contra as pernas do adversário

73m – Ricardo tem de saír a soco, em resposta a um remate de Beckam

74m – Figo remata forte; James sustém com muita dificuldade, para canto, fazendo a defesa da noite; grande oportunidade para Portugal

80m – Deco lança a bola em profundidade para a área, com muita força, para as mãos de James

82m – Um cruzamento com “conta, peso e medida” de Simão para a cabeça de Hélder Postiga: GOLO!

84m – Livre perigoso para Portugal, com a defesa inglesa a aliviar

86m – Portugal continua a atacar, mas com remate disparatado, muito por alto

89m – Falta de Maniche ; Beckam marca o livre, com muito perigo, no centro da área, a surgir um remate à trave; na recarga, Ricardo é tocado; repõe a bola em jogo rapidamente, Simão isola-se mas não tem ninguém a quem dar a bola…

90 + 2m – Nuno Gomes na área, remata de cabeça, fraco e ao lado

90 + 3m – Nuno Valente avança no terreno e resolve rematar ainda de longe, para fora! Termina um jogo empolgante de esforço e sacrifício português, com um empate 1-1; segue-se o Prolongamento.

………………………………………………………………….

92m – Cristiano Ronaldo dribla um, dribla dois e é travado em falta; amarelo para Phil Neville

96m – Portugal reclama penalty por mão do defesa, mas o árbitro só concede o canto; muito perigo na sua marcação; grande oportunidade para Portugal

98m – Nuno Gomes reclama penalty por “agarrão” do defesa (que não houve…)

101m – Beckam remata de cabeça, ao lado

102m – Rui Costa remata primeiro, contra a muralha inglesa; Hélder Postiga recarga, mas sem felicidade

103m – Livre marcado em profundidade, com muito perigo na área portuguesa

108m – Cristiano Ronaldo ganha o (12º!) canto, depois de uma boa iniciativa de Rui Costa; na sequência, Portugal marca o golo (???) – o árbitro considera que a bola não entra na baliza por completo!

109m – Rui Costa enche o pé e marca um GOLAÇO!!!

112m – Beckam remate de cabeça, em plena área, defesa fácil de Ricardo

113m – Simão remata cruzado, a rasar o poste!

114m – Canto para a Inglaterra; Beckam marca o canto e Lampard, junto à pequena área, recebe a bola, faz a rotação e empata

117m – Ricardo tem de sair da área e cortar a bola de cabeça

118m – Canto para Portugal, com Campbell a evitar a entrada de dois portugueses; Beckam alivia para longe

119m – Jogada confusa na área inglesa; Portugal podia ter marcado; na sequência, Ricardo Carvalho é obrigado a cometer falta perigosa, em cima da linha de área; Beckam remata cruzado, com perigo, a defesa portuguesa alivia para canto; Ricardo afasta com uma palmada… Vamos para os penalties!

Ponte Vasco da Gama

PORTUGAL ESTÁ NAS 1/2 FINAIS!





PORTUGAL – INGLATERRA

24 06 2004

1/4 Final

PortugalInglaterra2-2 (6-5 g.p.)

Nota prévia: após um jogo tão intenso como este, com todas as incidências e cambiantes a nível de resultado, será de todo impossível uma “análise fria” dos acontecimentos; a excitação é imensa, o ritmo cardíaco “acelerado”, é preciso “respirar fundo” antes de começar a alinhar algumas ideias…

Num jogo “digno de uma final de Campeonato da Europa”, o nosso “fado” (desta vez, com um final feliz) surgiu logo de entrada, aos 2 minutos, a “oferecer avanço” à Inglaterra.

Este jogo teria talvez o primeiro quarto de hora mais repartido deste Campeonato; Portugal a procurar emendar o tremendo erro dos 2 minutos, reagindo bem, com uma boa dinâmica; a Inglaterra apostada em jogar para a frente.

A partir da meia hora de jogo, começou a “dar só Portugal”, o que se acentuaria de forma inquestionável no início da segunda parte, traduzindo-se num domínio esmagador de Portugal, em termos de posse de bola: 61 % / 39 %.

À medida que o tempo avançava, nunca Portugal deixou de acreditar; ao invés, ia empurrando a Inglaterra para o seu meio campo.

Percebia-se que Eriksson tinha feito um bom “trabalho de casa”; os ingleses exerciam “marcações impiedosas” sobre os portugueses, não lhes dando espaços.

Até que, por fim, Portugal conseguiria repor alguma justiça no resultado, por intermédio de um magnífico golo de Hélder Postiga, dando perfeita sequência a um óptimo cruzamento de Simão Sabrosa.

E Portugal não ficaria satisfeito! Nos 8 minutos que faltavam ainda, foi a equipa portuguesa que sempre procurou chegar à vitória. Já não haveria tempo e chegava-se ao prolongamento.

Se o jogo já fora de alta tensão, o prolongamento seria completamente eléctrico; quando Rui Costa marcou o 2-1, num remate portentoso, dando sequência a uma magnífica jogada de futebol, de grande beleza “estética”, o sofrimento parecia ter acabado – mas não, as maiores emoções estavam ainda para vir. A Inglaterra conseguiria ainda forçar os penalties.

Aí, as coisas começaram bem, quando Beckam, desastradamente, “rematou para as nuvens”; infelizmente, Rui Costa não conseguiria transformar e, a partir daí, ficámos à mercê de uma eventual falha de um jogador português, que nos poderia, injustamente, levar à eliminação.

Os momentos que antecederam os penalties marcados por Maniche e Hélder Postiga (que tranquilidade! – a fazer lembrar Panenka, em 1976 – que “loucura”!) foram verdadeiramente angustiantes; pairava no ar a possibilidade de uma enorme injustiça.

Pudemos respirar um pouco melhor quando Ricardo defendeu o remate de Vassell – e daí até à explosão final, foram alguns segundos, com uma secreta confiança de que o mesmo Ricardo (assumindo corajosamente este momento de responsabilidade máxima) nos proporcionaria estes “pequenos momentos de felicidade”.

Dando a melhor sequência ao “épico” jogo com a Espanha, em mais um episódio desta “epopeia” – tal como há 4 anos, eliminando essa “grande potência do futebol mundial” que é a Inglaterra -, Portugal atinge o objectivo “mínimo” que tinha definido (não obstante, um objectivo ambicioso!) e mostra uma dinâmica de vitória que pode continuar a dar-nos grandes alegrias.

Não havia necessidade de sofrer tanto, num jogo em que só houve uma equipa a procurar o golo de princípio a fim, remetendo a Inglaterra, durante a maior parte do tempo, para a sua defesa. Tanto trabalho, “esforço e dedicação”, deveriam ter permitido alcançar a “glória” nos 90 minutos. Plenamente merecido este apuramento!

Portugal Ricardo, Miguel (78m – Rui Costa), Jorge Andrade, Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Costinha (62m – Simão Sabrosa), Figo (75m – Hélder Postiga), Maniche, Deco, Cristiano Ronaldo, Nuno Gomes

Inglaterra David James, Gary Neville, John Terry, Sol Campbell, Ashley Cole, David Beckam, Steven Gerrard (81m – Owen Hargreaves), Paul Scholes (56m – Phil Neville), Frank Lampard, Wayne Rooney (27m – Darius Vassell), Michael Owen

0-1 – Owen – 2m
1-1 – Hélder Postiga – 82m
2-1 – Rui Costa – 109m
2-2 – Lampard – 114m

Grandes Penalidades

Beckam “dispara para as nuvens”
1-0 – Deco
1-1 – Owen
2-1 – Simão

2-2 – Lampard
Rui Costa remata por cima
2-3 – Terry
3-3 – Cristiano Ronaldo
3-4 – Hargreaves
4-4 – Maniche
4-5 – Cole
5-5 – Hélder Postiga
Vassell remata e Ricardo defende
6-5 – Ricardo

“Melhor em campo” – Ricardo Carvalho (Portugal)

Amarelos – Costinha (56m), Deco (85m) e Ricardo Carvalho (119m); Gerrard (36m), Gary Neville (44m) e Phil Neville (92m)

Árbitro – Urs Meier (Suíça)

Estádio da Luz – Lisboa (19h45)





PORTUGAL – INGLATERRA – ANTES DO JOGO

24 06 2004

PortugalConcluída que está a Fase de Grupos do Campeonato da Europa de Futebol, surge mais uma oportunidade para novo “Balanço”.

Primeira constatação: apenas metade das selecções já Campeãs da Europa (de que todas elas haviam marcado presença em Portugal) “seguem em frente”, para os 1/4 Final. Com alguma lógica (se assim se pode dizer…), ficaram pelo caminho os campeões “mais antigos” (Rússia – 1960, Espanha – 1964, Itália – 1968 e Alemanha – 1972, 1980 e 1996); continuam os campeões mais “recentes” (R. Checa – 1976, França – 1984 e 2000, Holanda – 1988 e Dinamarca – 1992). Continuam também em prova 4 candidatos a estreantes como Campeões da Europa: Portugal, Inglaterra, Suécia e Grécia.

Segunda constatação: pela terceira vez consecutiva (Europeus de 1996, 2000 e 2004), Portugal venceu o seu Grupo; a equipa portuguesa é a única da Europa a ter alcançado este registo!

Terceira constatação: a Alemanha – país com melhor palmarés histórico na competição (com os seus 6 lugares no pódio nas 8 presenças anteriores, já três vezes Campeã da Europa) – apesar da pobre campanha que fez em Portugal, consegue, ainda assim “melhorar um pouco” relativamente ao anterior Europeu (tinha sido 15ª – ou seja, penúltima classificada – em 2000); depois do título de 1996, os vice-Campeões Mundiais completam uma série de 6 jogos (todos os realizados em 2000 e 2004, sem conseguir qualquer vitória!).

Para além da Alemanha, as outras grandes decepções da prova são a Espanha (“vítima” do empate com a Grécia e da derrota com Portugal) e a Itália (“vítima” dos empates nos jogos com os nórdicos).

A Bulgária, Letónia e Suíça (sem qualquer vitória) denotaram “estar um pouco à margem” da disputa da competição, a alguma “distância competitiva” dos restantes (a Croácia também não ganhou… mas, esteve lá perto, fazendo nomeadamente um bom jogo contra os Campeões da Europa, França).

Pela positiva, destaca-se a prova da R. Checa que, no Grupo “teoricamente” mais difícil, se impôs categoricamente, com 3 vitórias em 3 jogos (o que Portugal, Itália e Holanda haviam também alcançado no EURO 2000, mas que, antes, apenas havia sido conseguido pela França em 1984).

Com duas vitórias na competição, na Fase de Grupos, apenas Portugal, França e Inglaterra.

Para além da R. Checa, também ainda não perderam na prova, a França, a Suécia e a Dinamarca (havendo essa “curiosidade” de a Itália ter sido entretanto eliminada, igualmente sem sofrer qualquer derrota).

A maior surpresa dos 1/4 final será portanto a presença da Grécia que, em anteriores participações em Fases Finais de grandes provas, nunca vencera um jogo.

Em termos de estatísticas, de realçar o “poderio atacante” da Inglaterra e Suécia (melhor ataque, ambas com 8 golos), seguidas da França e R. Checa, com 7 golos.

As melhores defesas pertencem a Portugal e Dinamarca, apenas com 2 golos sofridos.

Em termos individuais, realce para as prestações “goleadoras” de Rooney e van Nistelrooy (cada um já com 4 golos) e Zidane (3 golos). Destaque especial ainda para Nedved e Baros (R. Checa), Ballack (Alemanha), Sorensen (guarda-redes dinamarquês) e Ibrahimovic (Suécia). Na equipa portuguesa, “destaque para todos”…

As equipas que, em minha opinião apresentaram melhor futebol nesta primeira fase foram a R. Checa, a Holanda e a Dinamarca… e Portugal, no jogo com a Espanha (para além da eliminada Itália).

Em termos de “aposta” para os 1/4 final, a França parece claramente favorita contra a Grécia; aposto também na Holanda e na R. Checa, embora o jogo com a Dinamarca não deva ser “nada fácil”. Por fim, no Portugal – Inglaterra, em minha opinião, se Portugal conseguir jogar o que sabe, será favorito, uma vez que me parece ter uma equipa mais sólida e consistente que a Inglaterra, com bons jogadores em todos os sectores.

Para contribuir para o desejado apuramento português para as 1/2 finais, será necessário, logo ao final da tarde, um apoio “incansável” dos adeptos portugueses, provavelmente em minoria face aos ingleses.

Por fim, é possível alinhar já (“oficiosamente” – em função das suas classificações e prestações relativas na primeira fase da prova) a posição das 8 selecções eliminadas:

9º Itália
10º Espanha
11º Alemanha
12º Croácia
13º Rússia
14º Letónia
15º Suíça
16º Bulgária

Como escrevi aquando do Portugal – Espanha, um jogo de futebol é isso mesmo: “um jogo”, que deve ser “uma festa”; o Portugal – Inglaterra de mais logo é mais uma oportunidade para vibrarmos com as nossas emoções (a vida também é feita destes “pequenos momentos de felicidade”), de voltarmos a fazer uma “grande festa”. Oxalá!





ALEMANHA – R. CHECA

23 06 2004

Grupo D – 3ª Jornada

AlemanhaR. Checa1-2

A R. Checa, já apurada (e vencedora do Grupo), apresentou a sua “segunda equipa”, com 9 alterações face ao jogo anterior (deixando no banco, entre outros, Cech, Grygera, Poborsky, Rosicky, Nedved, Baros e Koller).

Ainda assim, seriam os primeiros a criar perigo, com oportunidade para marcar logo nos primeiros 5 minutos.

A Alemanha apenas começaria a reagir por volta do quarto de hora, “ameaçando” o golo aos 19 minutos, o que concretizaria no minuto seguinte, por intermédio do seu melhor jogador, Ballack.

Mas, nem assim, a R. Checa “desistiria do jogo”, vindo a alcançar o empate aos 29 minutos, na marcação de um livre: um “grande golo”, sem possibilidades para Khan; a Alemanha passava a estar “virtualmente eliminada”, dado que a Holanda marcara 3 minutos antes.

Até final do primeiro tempo, o jogo continuaria repartido, mesmo com um ligeiro predomínio checo, não obstante os últimos minutos de pressão alemã.

Na segunda parte, a R. Checa estaria “ausente do jogo” durante cerca de meia hora; no primeiro quarto de hora, um jogo muito incaracterístico, de parte a parte; até chegou a dar a ideia de que o jogo “já não contava para nada”…

Não obstante, a partir dos 60 minutos, a Alemanha começou finalmente a instalar-se no meio-campo checo, com Ballack a ter um primeiro remate perigoso, aos 63 minutos. No minuto seguinte, os alemães reclamariam um penalty (inexistente) sobre Kuranyi.

E, aos 65 minutos, a Alemanha teria a grande oportunidade de marcar (eventualmente de ganhar o jogo…), quando a bola embateu com estrondo na base do poste, saíndo a recarga na direcção do guarda-redes Blasek, que desviaria a bola a soco.

Ballack tentava “remar contra a maré”, “carregando” a equipa, transportando-a para a frente, perante uma estranha apatia da R. Checa.

A Alemanha insistia e teria, aos 68 e 70 minutos, novas jogadas de algum perigo, a que se somariam, no minuto 72, mais duas flagrantes ocasiões. Adivinhava-se o golo da Alemanha, que parecia “correr o risco” de ganhar o jogo… aproveitando a falta de dinâmica dos checos.

Seriam as entradas de Poborsky e Baros (apenas a partir do último quarto de hora) que viriam “despertar” e “espevitar” a equipa. Ainda assim, os alemães reclamariam novo penalty, aos 75 minutos, por alegada mão do defesa checo (mais uma vez inexistente).

E, após 15 minutos de intenso domínio alemão, num rápido contra-ataque, os checos chegavam ao 2-1.

Um pouco incrivelmente – já de “cabeça perdida” – os alemães iriam reclamar, pela terceira vez (!) um penalty a seu favor, aos 80 minutos.

Já não restava qualquer discernimento à Alemanha; o jogo “terminava” aí para os alemães.

O actual vice-Campeão Mundial – mas, actualmente, em fase de renovação, uma equipa com “pouca classe” – tornava-se no quarto país já Campeão Europeu a ser eliminado da competição (depois da Rússia, Espanha e Itália).

Uma prova muito pobre, em que não conseguiria nenhuma vitória (ainda assim, melhor que a prestação do EURO 2000, em que apenas haviam alcançado um empate); ou seja, nos últimos dois Europeus, 6 jogos, sem conseguir qualquer vitória e, naturalmente, duas eliminações logo na primeira fase!

A R. Checa – apesar de jogar sem a “equipa principal” – e não obstante um período de meia hora em que se “eclipsou” do jogo, e começando, mais uma vez, a perder o encontro, acabaria por ganhá-lo com alguma naturalidade.

Três jogos, três vitórias; três encontros em que, entrando a perder, teve a capacidade para “dar a volta ao resultado”; perfila-se um candidato! A partir de agora, em jogos a eliminar, aumenta a contingência e a incerteza, mas prevêem-se grandes jogos, para já, nos 1/4 final, com a Dinamarca e, possivelmente, nas 1/2 finais, com a França…

Alemanha Oliver Kahn, Arne Friedrich, Christian Woerns, Jens Nowotny, Philipp Lahm, Bernd Schneider, Bastian Schweinsteiger (85m – Jens Jeremies), Dietmar Hamann (79m – Miroslav Klose), Michael Ballack, Torsten Frings (45m – Lukas Podolski), Kevin Kuranyi

R. Checa Jaromir Blazek, Marek Heinz, Rene Bolf, Tomas Galasek (45m – Tomas Hübschman), David Rozehnal, Martin Jiranek, Pavel Mares, Jaroslav Plasil (70m – Karel Poborsky), Roman Tyce, Stepan Vachousek, Vratislav Lokvenc (59m – Milan Baros)

1-0 – Ballack – 20m
1-1 – Heinz – 29m
1-2 – Baros – 76m

“Melhor em campo” – Marek Heinz (R. Checa)

Amarelos – Jens Nowotny (38m), Philipp Lahm (74m) e Christian Wörns (83m); Roman Tyce (48m)

Árbitro – Terje Hauge (Noruega)

Estádio José Alvalade (Alvalade XXI) – Lisboa (19h45)