1/4 Final

24.06.2004 (19:45) – Portugal – Inglaterra – 1-1 / 2-2 a.p. / 6-5 g.p.

25.06.2004 (19:45) – França – Grécia – 0-1

26.06.2004 (19:45) – Suécia – Holanda – 0-0 / 0-0 a.p. / 4-5 g.p.

27.06.2004 (19:45) – R. Checa – Dinamarca – 3-0


PortugalInglaterra2-2 (6-5 g.p.)

Nota prévia: após um jogo tão intenso como este, com todas as incidências e cambiantes a nível de resultado, será de todo impossível uma “análise fria” dos acontecimentos; a excitação é imensa, o ritmo cardíaco “acelerado”, é preciso “respirar fundo” antes de começar a alinhar algumas ideias…

Num jogo “digno de uma final de Campeonato da Europa”, o nosso “fado” (desta vez, com um final feliz) surgiu logo de entrada, aos 2 minutos, a “oferecer avanço” à Inglaterra.

Este jogo teria talvez o primeiro quarto de hora mais repartido deste Campeonato; Portugal a procurar emendar o tremendo erro dos 2 minutos, reagindo bem, com uma boa dinâmica; a Inglaterra apostada em jogar para a frente.

A partir da meia hora de jogo, começou a “dar só Portugal”, o que se acentuaria de forma inquestionável no início da segunda parte, traduzindo-se num domínio esmagador de Portugal, em termos de posse de bola: 61 % / 39 %.

À medida que o tempo avançava, nunca Portugal deixou de acreditar; ao invés, ia empurrando a Inglaterra para o seu meio campo.

Percebia-se que Eriksson tinha feito um bom “trabalho de casa”; os ingleses exerciam “marcações impiedosas” sobre os portugueses, não lhes dando espaços.

Até que, por fim, Portugal conseguiria repor alguma justiça no resultado, por intermédio de um magnífico golo de Hélder Postiga, dando perfeita sequência a um óptimo cruzamento de Simão Sabrosa.

E Portugal não ficaria satisfeito! Nos 8 minutos que faltavam ainda, foi a equipa portuguesa que sempre procurou chegar à vitória. Já não haveria tempo e chegava-se ao prolongamento.

Se o jogo já fora de alta tensão, o prolongamento seria completamente eléctrico; quando Rui Costa marcou o 2-1, num remate portentoso, dando sequência a uma magnífica jogada de futebol, de grande beleza “estética”, o sofrimento parecia ter acabado – mas não, as maiores emoções estavam ainda para vir. A Inglaterra conseguiria ainda forçar os penalties.

Aí, as coisas começaram bem, quando Beckam, desastradamente, “rematou para as nuvens”; infelizmente, Rui Costa não conseguiria transformar e, a partir daí, ficámos à mercê de uma eventual falha de um jogador português, que nos poderia, injustamente, levar à eliminação.

Os momentos que antecederam os penalties marcados por Maniche e Hélder Postiga (que tranquilidade! – a fazer lembrar Panenka, em 1976 – que “loucura”!) foram verdadeiramente angustiantes; pairava no ar a possibilidade de uma enorme injustiça.

Pudemos respirar um pouco melhor quando Ricardo defendeu o remate de Vassell – e daí até à explosão final, foram alguns segundos, com uma secreta confiança de que o mesmo Ricardo (assumindo corajosamente este momento de responsabilidade máxima) nos proporcionaria estes “pequenos momentos de felicidade”.

Dando a melhor sequência ao “épico” jogo com a Espanha, em mais um episódio desta “epopeia” – tal como há 4 anos, eliminando essa “grande potência do futebol mundial” que é a Inglaterra -, Portugal atinge o objectivo “mínimo” que tinha definido (não obstante, um objectivo ambicioso!) e mostra uma dinâmica de vitória que pode continuar a dar-nos grandes alegrias.

Não havia necessidade de sofrer tanto, num jogo em que só houve uma equipa a procurar o golo de princípio a fim, remetendo a Inglaterra, durante a maior parte do tempo, para a sua defesa. Tanto trabalho, “esforço e dedicação”, deveriam ter permitido alcançar a “glória” nos 90 minutos. Plenamente merecido este apuramento!

Portugal Ricardo, Miguel (78m – Rui Costa), Jorge Andrade, Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Costinha (62m – Simão Sabrosa), Figo (75m – Hélder Postiga), Maniche, Deco, Cristiano Ronaldo, Nuno Gomes

Inglaterra David James, Gary Neville, John Terry, Sol Campbell, Ashley Cole, David Beckam, Steven Gerrard (81m – Owen Hargreaves), Paul Scholes (56m – Phil Neville), Frank Lampard, Wayne Rooney (27m – Darius Vassell), Michael Owen

0-1 – Owen – 2m
1-1 – Hélder Postiga – 82m
2-1 – Rui Costa – 109m
2-2 – Lampard – 114m

Grandes Penalidades

Beckam “dispara para as nuvens”
1-0 – Deco
1-1 – Owen
2-1 – Simão

2-2 – Lampard
Rui Costa remata por cima
2-3 – Terry
3-3 – Cristiano Ronaldo
3-4 – Hargreaves
4-4 – Maniche
4-5 – Cole
5-5 – Hélder Postiga
Vassell remata e Ricardo defende
6-5 – Ricardo

“Melhor em campo” – Ricardo Carvalho (Portugal)

Amarelos – Costinha (56m), Deco (85m) e Ricardo Carvalho (119m); Gerrard (36m), Gary Neville (44m) e Phil Neville (92m)

Árbitro – Urs Meier (Suíça)

Estádio da Luz – Lisboa (19h45)

Filme do jogo


FrançaGrécia0-1

“Crónica de uma derrota anunciada”: Depois da Espanha, Itália, Alemanha e Inglaterra, tive hoje oportunidade de assistir ao vivo (na primeira deslocação ao novo e bonito Estádio José de Alvalade, no Complexo Alvalade XXI) à queda de mais um “colosso” do futebol europeu e mundial, também a “ficar pelo caminho”; das tradicionais “grandes selecções” da Europa, resistem apenas a Holanda e a R. Checa.

Foi um jogo bastante fraco o que opôs a França e a Grécia, com os gregos apostados sobretudo em defender, ensaiando, aqui e ali, tímidos contra-ataques e com os franceses, sem “chama”, sem garra, com um futebol muito estereotipado, denunciado, previsível, porque, acima de tudo, muito lento. Que diferença para o “nosso” jogo de ontem!

A espaços largos, a equipa francesa fez lembrar a incapacidade revelada também pela Alemanha para impor o seu futebol; os jogadores denotaram estar, praticamente todos, bastante “fora de forma”; o sempre esforçado e empreendedor Zidane não chegou para disfarçar a apatia generalizada, porque também ele desinspirado.

Depois, falhou também, na frente de ataque, a dupla ofensiva, com Trezeguet “transparente” em todos os jogos (praticamente não se deu por ele) e com Henry (considerado o melhor jogador do mundo na presente época, ao serviço do seu clube, o Arsenal de Londres) muito distante do seu real valor.

Com problemas também na defesa (como compreender que o lateral direito Thuram jogasse sempre a central, e que o central, Gallas, ocupasse sempre a posição de lateral direito?), a França acabaria por ser eliminada por um golo resultante de uma rápida jogada de contra-ataque dos gregos (que, em toda a partida, não teriam disposto de mais de 1 ou 2 ocasiões de perigo).

Perante a apatia geral do jogo, a animação viria da “bancada grega” e dos adeptos portugueses e ingleses, que chegariam a ter um momento de “reposição” dos cânticos de ontem, procurando animar o Estádio.

A perder a partir dos 65 minutos, a França teria ainda, teoricamente, bastante tempo para responder, mas, a determinada altura, chegou a parecer que os jogadores, sem motivação, “não se importariam de ir para casa mais cedo” (!?) – no final, do jogo, ver-se-ia que os jogadores “sentiram a eliminação”, no segundo revés consecutivo dos “bleus”, depois da paupérrima campanha no Mundial de 2002, em que não haviam marcado um único golo.

O “canto do cisne” surgiria aos 87 minutos, com Henry a rematar forte, “a rasar o poste” – melhor oportunidade francesa em toda a partida -, numa jogada em que Nikopolidis estava completamente batido, sem hipótese de defesa.

A França acaba por “passar ao lado” deste Campeonato; à parte os primeiros 40 minutos do jogo inaugural com a Inglaterra, nunca conseguiu “passear a sua classe”.

Os gregos – bastante apoiados por um bom núcleo de adeptos (perto de 10 000) fizeram a sua grande festa, atingindo – para já – uma surpreendente e absolutamente inesperada posição no pódio.

O seu futebol não é bonito, pouco procuram o ataque, defendem sem cerimónia, mas, até agora, têm conseguido ser eficazes. E, para quem estranhara a derrota portuguesa no jogo de abertura, ficou agora a prova de que, em futebol, (quase) tudo é possível!

França Fabien Barthez, William Gallas, Claude Makelele, Lilian Thuram, Bixente Lizarazu, Olivier Dacourt (72m – Sylvain Wiltord), Robert Pires (79m – Jérome Rothen), Mikaël Silvestre, Zinedine Zidane, David Trezeguet (72m – Louis Saha), Thierry Henry

Grécia Antonis Nikopolidis, Giourkas Seitaridis, Traianos Dellas, Mihalis Kapsis, Costas Katsouranis, Panagiotis Fyssas, Angelos Basinas (85m – Vassilis Tsiartas), Theodoros Zagorakis, Georgios Karagounis, Angelos Charisteas, Themistoklis Nikolaidis (61m – Vassilis Lakis)

0-1 – Charisteas – 65m

“Melhor em campo” – Charisteas (Grécia)

Amarelos – Zidane (44m) e Saha (86m); Karagounis (6m) e Zagorakis (50m)

Árbitro – Anders Frisk (Suécia)

Estádio José Alvalade (Alvalade XXI) – Lisboa (19h45)


SuéciaHolanda0-0 (4-5 g.p.)

O Suécia-Holanda não foi também um bom jogo, caracterizando-se, particularmente nos 90 minutos de tempo regulamentar, por uma toada morna, com o jogo concentrado essencialmente a meio-campo, sem grandes oportunidades de golo, não obstante alguma predomínio holandês.

A Holanda entrou melhor no jogo, assumindo o controlo da partida, que dominaria na primeira parte (58 % / 42 %, em termos de “posse de bola”), embora com um ataque previsível.

Na segunda parte, o jogo mudaria algo de cariz, com a Suécia a surgir mais perigosa, logo nos primeiros 10 minutos, com possibilidade de marcar, não fora Cocu a salvar sobre a linha de baliza.

A Holanda ainda procuraria ripostar mas, à entrada do último quarto de hora, a Suécia podia, novamente, ter também chegado ao golo.

O prolongamento seria bem mais interessante, desde logo com os holandeses a terem oportunidade de marcar aos 3 minutos, surgindo Robben a rematar ao poste. Ainda antes do termo da primeira parte do prolongamento, novas oportunidades, uma para cada lado.

Se a primeira parte fora de alguma forma controlada pela Holanda (tal como a 1ª parte do tempo regulamentar), também a Suécia viria a chamar a si, na segunda parte do prolongamento, o domínio do jogo, com Larsson a rematar à trave (112m) e Ljunberg ao poste (116m), quando o guarda-redes holandês estava já batido.

Já próximo do final, a Suécia desperdiçava portanto duas grandes oportunidades para evitar os penalties, o que não conseguiria; quando, na marcação dos pontapés de grande penalidade, Ibrahimovic rematou por alto, pensou-se que a Holanda tinha a eliminatória ganha; contudo, Cocu (tal como em anterior prova de âmbito internacional) viria a falhar; a selecção apurada para defrontar Portugal nas ½ finais apenas seria conhecida quando Mellberg – no primeiro pontapé após a série inicial – falhou a sua conversão; logo de seguida, Robben colocava, com algum felicidade, os holandeses (uma equipa sempre muito poderosa) “no caminho” de Portugal, afastando a “maldição dos penalties” (que lhes haviam provocado sucessivas eliminações nos Europeus de 1992, 1996 e 2000 e no Mundial de 1998).

A caminho da Final, tem a palavra Portugal!

Suécia Andreas Isaksson, Mikael Nilsson, Olof Mellberg, Andreas Jakobsson, Fredrik Ljungberg, Tobias Linderoth, Alexander Ostlund, Anders Svensson (80m – Kim Kallström), Mattias Jonson (65m – Christian Wilhelmsson), Zlatan Ibrahimovic, Henrik Larsson

Holanda Edwin van der Saar, Jaap Stam, Frank De Boer (35m – Wilfred Bouma), Gio van Bronckhorst, Michael Reiziger, Clarence Seedorf, Edgar Davids (62m – John Heitinga), Philip Cocu, Andy van der Meyde, Arjen Robben, Ruud van Nistelrooy (86m – Roy Makaay)

“Grandes penalidades”

1-0 – Kallstrom
1-1 – Van Nistelrooy
2-1 – Larsson
2-2 – Heitinga
Ibrahimovic remata por cima
2-3 – Reiziger
3-3 – Ljunberg
Cocu remata, com estrondo, ao poste
4-3 – Wilhelmsson
4-4 – Makaay
Mellberg permite a defesa de Van der Sar
4-5 – Robben

“Melhor em campo” – Ruud van Nistelrooy

Amarelos – Zlatan Ibrahimovic (57m) e Alexander Ostlund (88m); Frank De Boer (30m), Andy van der Meyde (48m) e Roy Makaay (115m)

Árbitro – Lubos Michel (Eslováquia)

Estádio do Algarve – Faro – Loulé (19h45)


R. ChecaDinamarca3-0

A R. Checa daria o primeiro “sinal de vida” logo aos 3 minutos, num livre apontado por Nedved, um remate forte, com uma defesa segura de Sorensen. Aos 13 minutos, os checos levariam o perigo à baliza da Dinamarca, com um remate de Galasek, a rasar o poste.

No entanto, num “jogo de paciência”, as equipas mostravam-se bem encaixadas, sem um domínio claro de uma delas. Assim, aos 15 minutos, seria a Dinamarca a instalar-se na grande área checa, embora sem resultados práticos, reincidindo aos 19 minutos, na marcação de um livre, que chegou a assustar.

A partir dos 20 minutos, o jogo – já não particularmente rápido de início – adormeceria ainda mais um pouco, numa partida bastante táctica, com as equipas a revelarem um muito bom conhecimento mútuo, não correndo riscos.

O jogo apenas despertaria da letargia, segundos antes do intervalo, na sequência de uma iniciativa de Poborsky, que foi à linha final, tentando, já em esforço, o cruzamento, que embateria ainda na trave da baliza da Dinamarca.

O início da segunda parte ameaçava prolongar a toada de baixo ritmo do primeiro tempo, até que, aos 49 minutos, a R. Checa beneficiaria de um canto, marcado por Poborsky, com Koller a fazer valer a sua altura, saltando sem oposição na área dinamarquesa, com um desvio perfeito para a baliza.

Estava posta em crise a tendência de sossego que se adivinhava; imediatamente a Dinamarca foi obrigada a adoptar uma atitude de maior dinamismo e combatividade, o que faria com grande vontade nos minutos seguintes.

Aproveitando os espaços proporcionados pelos dinamarqueses, a R. Checa ameaçava poder chegar novamente ao golo, logo aos 55 minutos.

À passagem da hora de jogo, o entusiasmo dinamarquês começara já a decair ligeiramente; não obstante, obrigariam ainda o guarda-redes checo a uma intervenção apertada, a soco.

Na resposta, uma pequena obra de arte de Baros, dando sequência a uma óptima abertura de Poborsky, a picar a bola sobre o guarda-redes, quando este saía da baliza a fazer a mancha, a marcar o seu 4º golo na prova, igualando Ruud van Nistelrooy e Wayne Rooney…

…Até ao minuto seguinte, em que Baros passaria mesmo para a frente, marcando o seu 5º golo, dando expressão prática à sua fantástica mobilidade no ataque checo; um golo completamente diferente do anterior, desta vez por via de uma desmarcação do lado esquerdo, com um remate potente e bem colocado, mal entrava na área. Nasce uma estrela!

E, claro, ainda antes de se completar o minuto 65, a R. Checa carimbava – “naturalmente”, sem aparentar esforço, podendo dizer-se mesmo, com 100 % de eficácia na segunda parte do jogo (e com o treinador a fazer uma óptima gestão da equipa) – a passagem às ½ finais, onde terá (em teoria…) de cumprir a formalidade que lhe permitirá o acesso à Final, numa prova em que tem confirmado todas as melhores expectativas acerca da sua prestação, com 4 vitórias em 4 jogos!

De nada valeu à Dinamarca ter dominado em termos de “posse de bola”, numa proporção de 60 % / 40 %, assim como a procura do golo de honra, por que bastante porfiou nos 20 minutos finais; o resultado final soaria a um castigo bastante pesado face ao desempenho que os dinamarqueses alcançaram nesta partida.

A R. Checa apresenta uma equipa muito bem organizada, com jogadores com excelente técnica (à “estrela” Nedved, junta-se outra da mesma grandeza, Baros, que se consubstancia no complemento perfeito, em termos de finalização, ao trabalho criativo de Nedved); um “futebol total”, à maneira da selecção holandesa dos anos 70.

Grande candidata à vitória na prova; veremos se Portugal conseguirá manter as boas prestações, eliminando a Holanda e proporcionando o que se antevê seria uma bela Final contra os checos.

R. Checa Petr Cech, Martin Jiranek (38m – Zdenek Grygera), Tomas Ujfalusi, René Bolf (64m – David Rozehnal), Marek Jankulovski, Tomas Galasek, Karel Poborsky, Tomas Rosicky, Pavel Nedved, Milan Baros (70m – Marek Heinz), Jan Koller

Dinamarca Thomas Sorensen, Thomas Helveg, Martin Laursen, René Henriksen, Kasper Bogelund, Christian Poulsen, Claus Jensen (70m – Peter Madsen), Thomas Gravesen, Jesper Gronkjaer (77m – Dennis Rommedahl), Jon Dahl Tomasson, Martin Jorgensen (85m – Peter Lovenkrands)

1-0 – Koller – 49m
2-0 – Baros – 63m
3-0 – Baros – 64m

“Melhor em campo” – Milan Baros (R. Checa)

Amarelos – Jankulovski (10m), Ujfalusi (45m), Nedved (60m); Poulsen (51m), Bogelund (55m), Gravesen (77m)

Árbitro – Valentin Ivanov (Rússia)

Estádio do Dragão – Porto (19h45)

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